Anna Karenina (2012)

Falem mal o quanto quiserem de Joe Wright. Eu sempre vou discordar.

Se ele criou um filme de ação bem B que consegue ser melhor que a média dessas produções A+, eu acredito em qualquer coisa que ele faça. Se ele conseguiu dar a vida e o vigor do meu livro favorito no cinema, eu acredito que temos, aqui, um novo mestre dessa arte.

Anna Karenina é o retorno de Wright ao estilo que ele é consagrado na Inglaterra. Os clássicos literários. Depois de adaptar o supremo Orgulho & Preconceito com tanta mão e sabedoria, e criar o arrasa-quarteirão que é Desejo & Reparação, em Anna Karenina ele experimenta ao máximo, dando significados em cada plano possível, e desmontando tudo.

Se Wright tenta dizer algo mais do que o roteiro que ele pega, isso é certeza absoluta. Aqui ele pega o clássico de Tostói e coloca nos palcos, insinuando a farsa da alta sociedade russa da época (e da alta sociedade em geral, pra falar a verdade), desconstruindo cenários no meio de uma cena, fazendo atores percorrerem os bastidores desse teatro para mudarem de cenário… tudo tão artificial quanto lindo, uma experiência magnífica de se ver ali, ao vivo, no meio de uma projeção.

Não é melhor que Desejo & Reparação, mas não tem como ser. Anna Karenina continua o lindo ensaio dele sobre cinema e teatro, levando dois passos pra frente. Wright é um dos meus diretores favoritos e, se isso não é gostar de cinema, então não quero gostar mesmo.

  • Prós: a lindíssima produção de Wright ainda mais aperfeiçoada aqui; os planos sequência no baile são de se mijar de empolgação; a trilha-sonora de Dario Marianelli, sempre perfeita.
  • Contras: um roteiro bem mal escrito fica martelando a beleza do filme toda hora.
  • Veredicto: pode não ser o melhor filme de Wright ou a adaptação definitiva da obra de Tostói, mas esse Anna Karenina é, pra mim, só mais uma prova de que Joe Wright é um dos diretores que me faz amar o cinema.

Anna Karenina (2012). Reino Unido. Dirigido por Joe Wright; escrito por Tom Stoppard, baseado no romance “Anna Karenina” de Liev Tostói; fotografado por Seamus McGarvey; editado por Melanie Oliver; trilha-sonora composta e conduzida por Dario Marianelli; com Keira Knightley, Aaron Taylor-Johnson, Jude Law, Domhnall Gleeson, Alicia Vikander, Matthew Macfadyen, Kelly Macdonald, Oskar McNamara, Olivia Williams.

Hanna (2011)

Eu deixo Joe Wright fazer o filme que ele quiser. Seja uma produção lindíssima baseada no melhor romance do início do século XX, seja na revisitação a um clássico da literatura inglesa, ou seja num filme de ação B, bem B, como Hanna.

Isso porque, o que Hanna tem de B, tem também de autoral. Wright é um de meus diretores favoritos porque consigo analisar nos seus filmes aquilo o que a sua mão agrega a um filme. E a cinemática de sua obra (Wright é um dos diretores de cinema atualmente que mais entendem que cinema é movimento) é exuberante. Aqui, então, nem se fala. No frenético filme da assassina mirim, contado como se fosse um conto de fadas, Hanna se firma cheio de canastrice, cenas de ação soberbas e, claro, Saorsie Ronan e Cate Blanchett, as melhores de suas gerações.

Hanna é Joe Wright. Não é nem perto um de seus melhores. Mas isso não o proíbe de ser ótimo.

  • Prós: Saorsie Ronan, Cate Blanchett, Chemical Brothers, Joe Wright;
  • Contras: totalmente canastrão.
  • Veredicto: impossívelmente divertido de tão estranho, Hanna é Joe Wright fazendo filme de ação B, e tornando-o algo extremamente bom.

Hanna (2011). Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos. Dirigido por Joe Wright; escrito por David Farr, Seth Lochhead, Joe Penhall, Joe Wright; fotografado por Alwin H. Kuchler; editado por Paul Tothill; trilha-sonora por The Chemical Brothers; com Saoirse Ronan, Cate Blanchett, Eric Bana, Tom Hollander, Olivia Williams.

As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne (The Adventures of Tintim, 2011)

Existe um charme indestrutível por baixo do traço de Hergé em As Aventuras de Tintim. É um tipo de desenho bastante caprichoso, com formas bem arredondadas e preenchimentos coloridos. Steven Spielberg, embora tenha abraçado o motion capture e a computação gráfica, consegue transpôr com sucesso a qualidade e a suavidade dos traços de Hergé para o cinema.

Em termos estéticos, As Aventuras de Tintim é impecável. Spielberg é um dos diretores mais operísticos do cinema e, aqui, dando vida à uma computação belíssima trazida pela WETA (que fez, também, o Gollum de O Senhor dos Anéis), cria sequências fantásticas que em live action seriam impraticáveis. E isso ele traz de melhor depois de quase vinte anos sem fazer dignos blockbustersTintim tem aquele espírito de aventura de um filme para um final de semana de verão.

Claro, há problemas de roteiro, coisas que Hergé nunca criou nos seus álbuns. Mas não dá pra culpar os roteiristas aqui. É uma adaptação complicada porque não só a mídia é diferente, como também a época. Tintim, bem como Peanuts, faz parte de uma geração mais antiga de apreciadores. A aventura do jovem é, nos quadrinhos, mais compassada. Aqui ela precisa ganhar um fôlego que, embora não tenha muito sentido narrativo, tem uma grande qualidade estética. Agora Tintim vive, também, nos cinemas.

  • Prós: a beleza inconstestável do filme, bem como uma história fechadinha e pronta para os amantes do material original.
  • Contras: devido às dificuldades de trazer o material até o grande público de hoje, muita magia de Tintim se perde.
  • Veredicto: As Aventuras de Tintim são duas ótimas viagens: uma delas é de poder adentrar no mundo criado por Hergé, mantendo a belíssima arte dele; a segunda, uma volta às aventuras deliciosas que Spielberg trazia nos verões. É uma delícia.

As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne (The Adventures of Tintim, 2011). Estados Unidos, Nova Zelândia, Bélgica. Dirigido por Steven Spielberg; escrito por Hergé, Steven Moffat, Edgar Wright, Joe Cornish; editado por Michael Kahn; trilha-sonora composta por John Williams; com as vozes de Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Simon Pegg, Nick Frost, Toby Jones, Mackenzie Crook, Tony Curran, Sebastian Roché, Kim Stengel.

Premonição 5 (Final Destination 5, 2011)

Premonição 5 é, como qualquer um dos Jogos Mortais ou Atividade Paranormal, um filme que se vende como sendo de terror. Mas é mais um filme para curiosos.

Ambas as três franquias de terror recente são exatamente a mesma coisa que seus filmes anteriores. Nesse Premonição 5, assim como os outro quatro filmes anteriores, é a mesma coisa: há uma sequência impressionante de destruição e morte, que faz filmes de catástrofe passarem vergonha. Porém, tudo se prova uma premonição de um dos caras do grupo e, um por um, vão morrendo. Até que metade do pessoal tenha morrido, eles descobrem que A Morte está indo buscar quem devia ter morrido se a premonição não tivesse ocorrido.

E assim funciona Premonição 5. Como todos os outros. Como Jogos MortaisAtividade Paranormal. Nós temos curiosidade por como serão as mortes (ah, elas são tão inventivas!), mas nenhum deles é um filme de terror. Ele não te põe medo, ele não conta uma história através do medo. Ele é até divertido.

  • Prós: as mortes são um show de criatividade.
  • Contras: é um mais do mesmo gigantesco.
  • Veredicto: é engraçado que seja dito um filme de terror. Premonição 5, como seus outros filmes, não passa de uma desculpa pra que você sente no sofá e assista mortes forjadas e muito divertidas. O humano gosta de ver sua raça sofrer.

Premonição 5 (Final Destination 5, 2011). Estados Unidos. Dirigido por Steven Quale; escrito por Eric Heisserer, Jeffrey Reddick; fotografado por Brian Pearson; editado por Eric A. Sears; trilha-sonora composta por Brian Tyler; com Nicholas D’Agosto, P.J. Byrne, Tony Todd, Emma Bell, David Koechner, Courtney B. Vance, Jacqueline MacInnes Wood, Tim Fellingham, Miles Fisher, Ellen Wroe, Sahil Vaid.

Viagem à Lua (Voyage dans la Lune, 1902)

Viagem à Lua tem menos de quinze minutos. Sua curta duração, porém, não lhe tira o mérito de ser um dos maiores clássicos do cinema.

É um trabalho de um artista. Georges Méliès escreve, dirige, edita, desenha e estrela um fascinante conto mudo e em preto-e-branco que ajudou a estabelecer o cinema como linguagem artística. É lindo assistir o cinema em sua forma tão primordial, sendo narrado por um explicador, em que a câmera ainda não tinha função narrativa e a edição era muito básica. Mas mesmo assim, com os poucos recursos que existiam nessa linguagem, Méliès consegue criar um conto fascinante e puramente cinético. Um bando de cientistas que descobrem como ir até a lua e vão, descobrindo como é fascinante o nosso satélite.

É curto e, olhando agora, é de uma linguagem visual bastante pobre. Mas lá, na aurora do cinema, fazer uma lua sorrir ou sofrer de dor era algo inimaginável, e pensar hoje o que seria o cinema sem Viagem à Lua é preocupante. Em menos de quinze minutos, Georges Méliès conta uma história de início, meio e fim com todas as qualidades e uma progressão rítmica impecável. Méliès contava histórias como grandes diretores, mais de um século depois, ainda não conseguem contar nem com o avanço da computação gráfica.

É a prova viva, afinal, de que um grande diretor precisa ser um bom contador de histórias. O mágico Méliès era.

  • Prós: a genialidade e capricho de um curta-metragem que já tem mais de cem anos.
  • Contras: é um cinema muito, muito simples. Alguns não vão apreciá-lo comparando ao que temos hoje.
  • Veredicto: Méliès prova que nem a ausência de recursos pode impedir de se fazer um grande filme. Viagem à Lua, o primeiro grande clássico do cinema, é justamente isso: a arte de se fazer filme contando histórias, de exibir um mundo inacreditável bem ali diante de seus olhos. É o cinema. O lindo, maravilhoso cinema. E é por isso que eu amo tanto ele.

Viagem à Lua (Voyage dans la lune, 1902). Escrito e dirigido por Georges Méliès; fotografado por Michaut, Lucien Tainguy; com Georges Méliès, Victor André, Bleuette Bernon, Brunnet, Jeanne d’Alcy, Henri Delannoy, Depierre, Farjaut, Kelm.

Amor (Amour, 2012)

Michael Haneke é um gênio do cinema. É um gênio que dissimula, que forja, e que analisa. É dono de um cinema bastante calmo, compassado, muito frio e distante. E, mesmo assim, Amor é cheio de sentimentos.

Inquestionavelmente uma obra de arte, Amor é o conto da última, e talvez a maior, prova de amor: assistir o fim de uma vida juntos. Com aquela sua distância, Haneke já logo de cara mostra o que o espectador deve esperar. Gênio, não precisamos nos questionar do que vai acontecer, precisamos só apreciar a viagem até seu inevitável destino.

Quando Georges e Anna, o velho casal que deve assistir a gradual morte dela e ao fim de uma vida inteira juntos, precisam passar por essa provação final, o antes espaçoso e lindo apartamento repleto de obras de arte torna-se um mausoléu de memórias que já não fazem mais sentido, de músicas que antes podiam ser compostas e que agora não podem ser sequer cantaroladas. Os cômodos se silenciam pouco a pouco, se tornam inúteis. Georges assiste não só a sua esposa definhar, mas grande parte de sua vida se esvair junto com ela.

Esse é o Amor que Haneke deseja tanto provar. Nós já sabemos o que esperar, porque Georges sabe o que lhe espera. Ambos são realistas com a situação. Mas é avassalador o golpe final. Quando a morte vem, enfim, seifar uma pessoa, um sentimento, e duas vidas.

  • Prós: tudo. Da assombrosa e impecável direção de Michael Haneke às interpretações não menos perfeitas de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva;
  • Contras: nenhum. Se obras-de-arte cinematográficas demoram para chegar, não há dúvida que a mais recente está entre nós.
  • Veredicto: impecável, Amor é um filme definitivo. Daquele que define não só um diretor como uma geração cinematográfica. Se o cinema contemporâneo é marcado pelo realismo digital, é nas entranhas vicerais de Georges e Anna que ele viverá para sempre.

Amor (Amour, 2012). Áustria, França, Alemanha. Escrito e dirigido por Michael Haneke; fotografado por Darius Khondji; editado por Nadine Muse, Monika Willi; com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell.

O Homem da Máfia (Killing Them Softly, 2012)

O Homem da Máfia é um dos melhores filmes de gângster que eu vi ultimamente. E eu vi bastante. E por ultimamente leia-se alguns anos. E é isso de bom. Talvez seja o melhor desde O Profeta, de 2009, mas aquele não é tanto um filme de gângster.

Fazendo um paralelo de como funciona a máfia e de como funciona a economia americana, O Homem da Máfia não é tão inteligente quanto quer ser. Mas pouco importa. Ele conta bem (muito, muito bem) a história que ele se propõe a contar. E a história é boa. Não bastasse isso, o diretor Andrew Dominik consegue arrancar visuais que parecem ter vindo de faroeste e atuações assustadoras de seus atores — principalmente Brad Pitt, que ultimamente vem se transformando em um dos meus atores prediletos.

É um ótimo filme. Não deixe o discurso tirar a coisa do sério. É impecável na história que ele quer contar e isso já é muita coisa pra um filme de gângster ultimamente. Se o subtexto não funciona, fica com o texto mesmo.

  • Prós: as excelentes atuações, o belo trabalho visual do diretor, a trilha sonora contagiante e a ótima história.
  • Contras: ele tenta pregar um discurso, mas não se sai muito bem nessa tarefa.
  • Veredicto: pode até ser uma crítica a como a economia americana vem rumando, mas O Homem da Máfia funciona mesmo como o bom e velho filme de gângster: frio, violento e delicioso de se assistir.

O Homem da Máfia (Killing Them Softly, 2012). Estados Unidos. Dirigido por Andrew Dominik; escrito por Andrew Dominik, George V. Higgins; fotografado por Greig Fraser; editado por Brian A. Kates, John Paul Horstmann; com Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Vincent Curatola, Richard Jenkins, Ray Liotta, Trevor Long, Max Casella, Sam Shepard, Bella Heathcote.

Os Miseráveis (Les Misérables, 2012)

Eu não consegui respirar durante um minuto sequer nessa versão chata de Os Miseráveis. Não porque as incessantes canções cansam, que isso eu aturo, mas porque o filme tem 157 minutos de correria. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, com um corte aqui e outro ali (é muito picotado), que parece tudo a mesma coisa.

E quando tudo parece a mesma coisa, ao invés de absorver tudo, eu absorvo é nada. Os Miseráveis é, pra mim, uma grande bosta: eu não sou fã de musicais e ver um bando de ator que não sabe cantar (tem uns que sabem) é um porre. Comprovar que Tom Hooper não sabe dirigir, enquanto ele filma espetáculo, é de chorar. E ficar por mais de uma hora e meia com cenas de menos de um minuto e muita, muita correria, onde não dá pra entender de nada, onde personagens aparecem e somem, é um tremendo saco. O clássico de Victor Hugo merecia algo melhor.

  • Prós: o canto do cisne de Anne Hathaway;
  • Contras: o resto.
  • Veredicto: Os Miseráveis é quase uma tortura. É um musical que se leva tão a sério, que quer ser tanto um “filme de autor”, que não sabe se vai pro lado do excêntrico ou do espetáculo. Na dúvida, ele faz os dois. E faz muito mal. Ainda bem que acabou.

Os Miseráveis (Les Misérables, 2012). Reino Unido, Estados Unidos. Dirigido por Tom Hooper; escrito por Claude-Michel Schönberg, Alain Boublil, William Nicholson, baseado na obra de Victor Hugo; fotografado por Danny Cohen; editado por Chris Dickens; trilha-sonora composta por Herbert Kretzmer; com Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Hugh Jackman, Russell Crowe, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009)

O primeiro filme da saga de Harry Potter que eu vi esse ano não poderia deixar de ser o que eu considero impecável.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe é, ao lado de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1, um excelente filme de suspense. É a primeira parte de uma bem pensada trilogia de finalização, e trata de pôr o espectador na situação dos personagens. É inteligente esse movimento porque ele vai além do roteiro. Tudo no filme, sejam os personagens, a fotografia, a trilha-sonora, os cenários… tudo está mais escuro, a magia é imperceptível (um e outro detalhe são anormais), e há uma sensação eterna de perigo.

Isso tudo faz com que aquele ar de filme-de-tarde dos outros Harry Potter caiam por terra. Aqui, essa sensação de perigo, dá fim ao fascínio pelo universo mágico da saga. Tem uma guerra se formando fora do foco da câmera e, por isso, tudo reflete esse tempo, onde os amigos se tornam inimigos pelo conflito de ideias e nenhum lugar, nem ninguém, é seguro e de confiança. É um avanço de escrita (o livro é o melhor da série) e de direção. É um bom início de final para uma saga que teve péssimos volumes e que acaba de maneira exemplar.

  • Prós: a ambientação, a sensação de perigo, e finalmente uma aventura que não é episódica;
  • Contras: ele não dá tanto o foco ao passado do vilão.
  • Veredicto: Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um bom filme de suspense, que flerta com o noir, e que traz uma boa finalização para vários arcos pendentes. É bem claro o que ele faz: ele está limpando o terreno e pondo na mesa questões mais sérias. A guerra está começando e a explosão de hormônios dos personagens precisa dar lugar a algo mais relevante — suas próprias vidas.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009). Reino Unido. Dirigido por David Yates; escrito por Steve Kloves, baseado no livro de J. K. Rowling; fotografado por Bruno Delbonnel; com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Alan Rickman, Helena Bonham Carter, Jim Broadbent, Maggie Smith, David Thewlis, Tom Felton.

Django Livre (Django Unchained, 2012)

PU-TA-MER-DA.

Eu adoro Bastardos Inglórios, com certeza um dos meus filmes favoritos de Quentin Tarantino. E, cara, que bom que ele manteve o nível: Django Livre é tão excelente quanto. É divertido de uma maneira quase que ilegal.

Django Livre é mais um filme que mostra que Tarantino pode não ser muito versátil. É um filme sobre vingança que usa muito do faroeste e do filme C. Mas e daí? O cara continua fazendo filme que é muito, muito bom, pelo conjunto. É uma bomba cheia de referências a torto e a direito, com ação muito bem dirigida e diálogos excelentes. E o melhor: é tudo muito engraçado, muito despretensioso e, ao mesmo tempo, cheio de motivos. Não é tão bom quanto Kill Bill, é verdade. Mas Django Livre tá lá no patamar de mais um filme de vingança que parece faroeste meia boca. Para qualquer diretor poderia ser um insulto, mas pra Tarantino é um elogio sem tamanho.

Django Livre não define a carreira de Tarantino mas diverte como poucos filmes conseguem ultimamente. Sério. O que é aquela cena das máscaras da KKK? Fazia tempo que eu não ria tanto.

  • Prós: Django Livre é absurdamente e ilegalmente divertido;
  • Contras: não é uma obra do patamar de Kill Bill, mas e daí? Diverte tanto quanto.
  • Veredicto: eu saí da seção de Django Livre com um sorrisão. É um baita filme (bem longo também), que te diverte, e te emociona, e te prende. E é na medida. Por favor, Tarantino, faça mais filmes assim.

Django Livre (Django Unchained, 2012). Estados Unidos. Escrito e dirigido por Quentin Tarantino; fotografado por Robert Richardson; editado por Fred Raskin; trilha-sonora composta por Ennio Morricone; com Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Kerry Washington, Walton Goggins, Dennis Christopher, Don Johnson, James Remar, Anthony LaPaglia, M.C. Gainey, James Russo, Tom Savini, Ned Bellamy, Franco Nero, David Steen, Dana Michelle Gourrier, Nichole Galicia, Zoe Bell, Amber Tamblyn, Bruce Dern, Russ Tamblyn, Don Stroud, Quentin Tarantino, James Parks, Michael Parks, John Jarratt.