2016 em filmes

O ano tá acabando e tu sabe o que isso quer dizer.

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Diferente do ano passado, eu vi muito filme em 2016. Segundo o Letterboxd eu vi mais de 500. Foram mais de mil horas sentado vendo filme (bem, eu não vi todos os filmes sentado, pra dizer a verdade). E a maioria dessas horas valeu.

Fora esses posts de retrospectiva anual, eu não ando mais atualizando esse blog. Bem que eu queria, mas eu gosto tanto de ficar comparando minhas opiniões anteriores sobre os filmes que eu vejo e revejo que acho esse espaço mais importante pra mim do que qualquer outra coisa. Então as vezes eu volto pra dar uma lida, ver no que eu evoluí em questão de perceber o cinema, e o que eu continuo igual (fora Upstream Color, minhas opiniões não mudaram muito desde 2013).

Se tu ainda tiver vontade de saber o que eu ando assistindo, eu atualizo meu Letterboxd quase que diariamente — e algumas vezes eu posto algumas observações sobre algum filme lá. Eu continuo escrevendo no PCM, então é certo que tu encontra algo novo pra ler ali naquelas bandas (assina o feed ou segue no Twitter pra saber quando tem post novo).

Lembrando como funciona essa pequena retrospectiva: eu escolho os cinco melhores filmes que eu vi no cinema; os cinco melhores filmes que eu vi em casa; os cinco piores filmes que eu vi no ano e, finalmente, os cinco melhores filmes do ano na minha opinião. Eu decidi mudar, porém: os cinco melhores filmes vistos em casa agora só valem primeiras vezes (até porque Uma Mulher Sob Influência ficar ali toda vez não é justo). De resto vale tudo. Vamo lá.

Melhores filmes vistos no cinema

1. Aquarius.

aquarius

Batata. Aquarius é um dos filmes mais poderosos que eu vi esse ano. Ele não é só um grande filme brasileiro, ele é um grande filme que pertence a um tipo de cinema que realiza filmes essenciais não só pelo seu tema, mas também pela sua precisão em como usar o cinema para contar sua história. Muito como Fincher em A Rede Social, Kleber Mendonça Filho usa do seu domínio da linguagem cinematográfica pra contar uma história sobre memória e luta, um grito não só de Clara como do cinema, urrando para manter seu legado enquanto observa e absorve o futuro.

Aquarius é um filme tremendo por ter tudo em seus conformes. Me incomoda um pouco a insensibilidade com que o filme trata outros personagens que não são a Clara, mas eu quase esqueço disso quando ela tá no quadro. Sônia Braga torna Aquarius em seu tour-de-force, seu próprio legado. Em um filme que ama tanto sua personagem (algo que eu acho extremamente raro num cinema brasileiro que é tão preocupado com o discurso), Kleber Mendonça exibe sua força em contar histórias que ele já havia mostrado em O Som Ao Redor de uma maneira muito mais direta e potente. As vozes daquele filme se tornam na voz de Clara. Se falta a pluralidade, não falta a precisão. Aquarius é um filme monumental como poucos. E é cinema essencial.

E também:

2. O Abraço da Serpente. Eu quase coloquei O Abraço da Serpente em primeiro lugar. Só não coloquei porque eu preciso rever ele tanto quanto eu tive a oportunidade de rever Aquarius. Mas O Abraço da Serpente é um filme que maravilha e assombra em mesma medida. O grande cinema que é em igual medida de fascínio e temor da autodescoberta no meio da Amazônia. No momento que O Abraço da Serpente começou eu sabia que eu estava vendo um filme que viverá na história do cinema.

3. A Chegada. Um filme que trata com carinho, e com cuidado, as armadilhas e as possibilidades da comunicação. Além disso, é um puta filme de ficção científica e Amy Adams tá demais.

4. Cemitério do Esplendor. Estar preso entre sonho e realidade nos filmes de Weerasethakul nunca decepciona. É uma jornada e tanto.

5. Tangerina. A euforia chega a sair da tela. Ainda bem, elas precisavam tomar fôlego.


Melhores filmes vistos em casa

1. Picnic na Montanha Misteriosa.

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Porra, tá aí um filme difícil de falar. Foi amor a primeira vista. Eu precisava de um filme que me apresentasse algo novo. Picnic na Montanha Misteriosa não me mostrou só o cinema australiano. Ele me mostrou o mistério. E eu me fascinei por ele.

Tudo em Picnic na Montanha Misteriosa é fantástico. Seja o modo como Weir filma — é quase como um sonho, mas o calor naqueles espartilhos é real demais —, seja na maneira brusca que o mistério acontece, e não se preocupa em momento algum a se resolver. É quase realismo fantástico, mas mais macabro: é como se Weir indicasse que, quando se coloniza aquilo que não é seu, a terra tomará suas providências. Como se tivessem sido engolidas pelas pedras, as meninas que se perdem na Hanging Rock não voltariam a ser vistas mais. É um filme que não te dará respostas, mas jamais vai te impedir de fazer mais perguntas.

E também:

2. O Peso do Silêncio. O filme mais importante, e forte, que eu vi esse ano. É mais do que um complemento a O Ato de Matar. É a profundidade necessária.

3. Ulysse. Agnès Varda faz de uma foto uma das melhores jornadas que tive no cinema esse ano. E em 20 minutos.

4. Gosto de Cereja. Eu não quero nem lembrar que 2016 nos levou Kiarostami. Gosto de Cereja é uma obra-prima.

5. Amantes. O desespero dos personagens de Cassavetes é tão real, e tão próximo da nossa carne, que eu provavelmente não vá assistir Amantes de novo. Ou vá, porque a cicatriz é linda.


Melhores surpresas

1. Upstream Color.

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Desde a primeira vez que eu vi esse filme (e minha indignação é legível nesse post), ele não saiu da minha cabeça. Ainda bem que eu dei uma segunda chance. Upstream Color é uma jornada essencial em busca da conexão. Se não viu, corre pra ver. Não é só “uma experiência” como as pessoas gostam de dizer por aí quando um filme não só te conta uma história, mas te põe nos pés dos personagens. É uma linda carta de amor para nossa necessidade de se conectar a outras pessoas, e como isso nos dá a humanidade.

E também:

2. T’as de beaux escaliers tu sais. Agnès Varda, esse monstro do cinema, faz uma homenagem à Cinemateca Francesa em 150 segundos onde consegue falar do seu amor pela arquitetura, pelas Cinemateca e, claro, pelos filmes.

3. Looking: O Filme. Deixa eu te falar como se faz fan service: esse filme.

4. 10.000 km. Ah, eu achei que ia odiar esse filme. Eu acabei apaixonado pelos personagens.

5. As Mil e Uma Noites: Volume 2, O Desolado. Bem, isso foi estranho. Absurdamente recompensador, também.


Piores filmes

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1. Dracula 3D. Pelo visto Dracula 3000 não é o pior filme que eu já vi. Caralho, Argento.

E também:

2. America: Imagine the World Without Her. Isso existe.

3. Risco Duplo. Nem diverte com a falta de qualidade em absolutamente tudo. Uma pena, queria dar umas risadas.

4. O Maior Amor do Mundo. Esse filme de dia das mães deixou tanto eu quanto minha mãe com vergonha de termos assistido isso.

5. Paraísos Artificiais. Só pra lembrar o Erê que eu odeio ele por ter me feito ver isso.


Melhores filmes

1. Além da Linha Vermelha.

Cena de Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, 1998)

Esse é o filme de Malick que mais entende e se interessa pelos humanos que ele retrata. Os soldados no Guadalcanal, até a cintura imersos na água; sem uma perna; sangrando até a morte; vendo suas vidas se desfazerem enquanto lutam em uma guerra que cada vez perde mais o sentido; olham ao redor. É esse o paraíso que eles roubam e, então, destroem.

Malick é sublime na forma de exibir como a raiva — essa verdadeira doença que é a raiva — é levada até os nativos pela guerra. Como os soldados veem duas crianças brigando entre si por pura ganância. Algo que antes, no início do filme, jamais pudesse ser imaginado. Mas Malick não tá só ali mostrando como a guerra é ruim e tudo o que o homem toca vira cinza. Malick discute a morte, o medo, a dor e a paz no seu melhor filme, e no grande filme de guerra já feito.

E também:

2. Picnic na Montanha Misteriosa. ELES ERAM IRMÃOS, ELA FOI VISITAR ELE.

3. A Rede Social. Esse, meus amigos, é o grande filme desses tempos.

4. Cópia Fiel. Talvez tenha muito a ser descoberto em Cópia Fiel. Talvez não tenha nada. E talvez isso seja o mais próximo que a gente consiga chegar de compreender como a arte funciona.


Até 2017 com mais filmes! ❤

Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

Uma consideração sobre “2016 em filmes”

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