O Rei Leão (The Lion King, 1994)

“Tudo isso que o sol toca será seu” diz Mufasa ao seu filho Simba. A passagem de trono será difícil, uma vez que o irmão de Mufasa, Scar, deseja o reino para si e nada o impedirá de conquistá-lo — nem matar o próprio irmão.

A história acima podia ser contada em qualquer filme. Mas é de O Rei Leão, o mais adulto e cruel filme da Disney ao lado de BambiDumbo. Um conto de traição, honra, coragem e amizade, que tem suas bases estabelecidas em contos bíblicos e em Hamlet de Shakespaere, O Rei Leão é o melhor filme de animação já feito. E aí vão os motivos.

Poucos filmes conseguem encenar a força de Hamlet. E, aqui em O Rei Leão, a Disney não só faz uma das mais bem sucedidas tentativas como também cria uma fábula para que crianças possam lidar com os temas sombrios do conto. A traição de Scar, a culpa de Simba, o hakuna matata como mantra… O Rei Leão, igualmente como fazem outros clássicos da Disney, torna temas que o cinema tem muito problema ao tratar e o coloca em imagens simples (uma vez que, naquela época, a animação não investia em movimentos de câmera como investe hoje). Não só os temas sombrios, como a amizade e o companherismo irrestritos de Timão e Pumba, criam personagens já eternizados na película.

Então, Hamlet na selva é só o que O Rei Leão tem a trazer? Não, absolutamente. Ao contar uma história de temas universais em um desenho animado, a Disney tem um feito que talvez seja a única a conseguir empregar no cinema ocidental. Há muita interpretação adulta a ser tirada da fábula, mas a história vista por crianças, de um leão indo tomar seu lugar de direito, é extremamente bem conduzida e envolve emoções diversas na pequena duração do filme. Da tristeza ao ver Mufasa cair para a morte (e, ao rever no cinema em 2011, várias crianças parecem não ter aguentado e os pais precisaram levar a pobre alma para fora da sala), à felicidade ao ver Timão e Pumba explicarem o que o hino pessoal do hakuna matata significa. Criar, em uma jornada de menos de uma hora e meia, um épico de coragem e inflar ele com vida é algo que poucos cineastas conseguiram fazer com atores reais. A Disney o fez com desenhos.

  • Prós: tudo, O Rei Leão é o conto que o cinema de animação nasceu para criar;
  • Contras: nenhum.
  • Veredicto: em O Rei Leão, a Disney não coloca seus desenhos na história porque já o fez muito antes, mas puxaria pra cima a barra do que é possível com animação, explicitaria que não é o meio que faz a mensagem, mas os seus personagens, e imortalizaria Simba, Timão e Pumba como personagens tão cinematograficamente necessários quanto a família Corleone ou o pobre Kane.

O Rei Leão (The Lion King, 1994). Estados Unidos. Dirigido por Roger Allers, Rob Minkoff; escrito por Irene Mecchi, Jonathan Roberts, Linda Woolverton; trilha-sonora composta por Hans Zimmer; com a arte de Tim Allen, Kathy Altieri, Sunny Apinchapong, Ruben A. Aquino, Barry Atkinson, Hans Bacher, Dale Baer, Tom Bancroft, Tony Bancroft, James Baxter, Aaron Blaise, Rejean Bourdages, Ken Boyer, Robert Bryan, Dave Burgess, Brooks Campbell, Randy Cartwright, Michael Cedeno, Lorna Cook, Dan Cooper, Anthony de Rosa, Andreas Deja; com as vozes de Jonathan Taylor Thomas, Matthew Broderick, Jeremy Irons, James Earl Jones, Moira Kelly, Nathan Lane, Niketa Calame, Ernie Sabella, Robert Guillaume.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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