A bela Junie (La belle personne, 2008)

Eu demorei pra aceitar que era a mesma Léa Seydoux que atuou em Azul é a cor mais quente a atriz que atua aqui em A bela Junie. Isso não só por causa da transformação estética, mas é uma maneira bem diferente de interpretar a personagem que ela usa lá e cá. No épico de Kachiche, Seydoux usa uma brutalidade corporal para representar Emma. Aqui, como Junie, ela usa uma fina sutileza.

Isso prova a qualidade de Seydoux em um filme um tanto problemático. A bela Junie é um bom filme sobre uma jovem que se apaixona pelo professor de Italiano, mas que nega o sentimento a si mesma. É tudo muito bonito (a fotografia do filme é um charme), mas parece que A bela Junie sofre da mesma languidez de Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci: é tão surreal e tão desformado que irrita.

Seus personagens são jovens de 16 anos que estão nem aí (uma verdade, vale dizer), a história fala sobre o primeiro contato com paixões, e como notamos após essa primeira paixão que as paixões em si não são feitas para durar. Para isso, Honoré, o diretor, usa artifícios de Bertolucci no irritante filme de 2003: atores jovens e bonitos que não sabem atuar bem (à exceção, aqui, de Seydoux e Garrel), um roteiro bastante sem fôlego (parece que tudo é feito numa má vontade latente), e uma conclusão preguiçosa. Isso parece um mal do cinema jovem francês: a visão que se tem é como se todos estivessem sempre com sono porque os problemas hormonais deixam cansado. A bela Junie, embora interessante em seu tema, me deu sono.

  • Prós: as boas atuações de Léa Seydoux e Louis Garrel;
  • Contras: o fraco ritmo da história.
  • Veredicto: eu não gosto de Os Sonhadores e vi muitas semelhanças com A bela Junie, o que logo me irritou. Ambos são filmes que tratam a juventude de uma forma bastante preguiçosa e dissimulada. Este filme, porém, é bastante melhor por duas atuações bacanas — uma pena que o roteiro degringola.

A Bela Junie (La Belle Personne, 2008). França. Escrito e dirigido por Christophe Honoré; fotografado por Laurent Brunet; editado por Chantal Hymans; com Léa Seydoux, Louis Garrel, Esteban Carvajal-Alegria, Grégoire Leprince-Ringuet, Simon Truxillo, Agathe Bonitzer, Anaïs Demoustier, Jean-Michel Portal, Martin Siméon, Valerie Lang, Jacob Lyon.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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