Fantasia 2000 (1999)

Fantasia 2000 é um sonho realizado. Animações feitas por mestres sob medida para músicas clássicas compostas e conduzidas por mestres. É um filme que o mercado não aceitaria hoje (já não aceitou em 1999, então imagina). Mas é uma experiência sinestésica como nenhuma outra.

A introdução, com a Sinfonia no. 5 de Beethoven, com a luta do bem e do mal é algo que eu até hoje revejo na minha mente quando escuto a performance em qualquer lugar; Pini di Rome, com as baleias que sabem voar, talvez seja um dos pontos mais fascinantes de toda a história da animação americana; a Nova York de 1930 com Rhapsody in Blue é um delicioso delírio sinestésico; o Soldadinho de Chumbo em Piano Concerto No. 2 talvez seja o ponto que eu menos goste em Fantasia 2000, mas não deixa de ser lindo; Le carnaval des animaux, uma dança com flamingos e um io-io, é uma das experiências mais cinemáticas que eu já tive; O Aprendiz de Feiticeiro, um relançamento do curta mais conhecido do Mickey, mantém sua magia; Pomp and Circumstance Military Marches refaz o conto da Arca de Noé com o Donald no curta mais carismático do filme; e Zhar-ptitsa retrata a batalha de uma ninfa com uma ave de fogo não só no mais lindo curta da compilação, mas na maior realização que o Walt Disney Pictures já alcançou.

É lindo, é empolgante e emocionante. Fantasia 2000 não é tão bom quanto o original porque troca as introduções vindas de comentaristas de Opera por atores bem-cotados, como Steve Martin; e talvez alguns segmentos sejam ingênuos demais perante às obras musicais. Mas como um todo, Fantasia 2000 é uma realização cinematográfica que exemplifica porque o cinema é uma arte hoje tão influente quanto a música. Como a imagem em movimento, assim como as composições sonoras, conseguem trazer toda uma humanidade para um segmento de vinte minutos.

  • Prós: todos os segmentos de Fantasia 2000 são uma comprovação do cinema como bela arte — e um experimento sinestésico único;
  • Contras: a adaptação de certos elementos do filme original, tornando-os mais acessíveis para uma geração mais nova;
  • Veredicto: belo de se ver e de se ouvir, Fantasia 2000 é um ensaio de como o cinema é a arte que é — e uma realização do cinema animado que nunca havia sido alcançada antes.

Fantasia 2000 (1999). Estados Unidos. Dirigido por James Algar, Hendel Butoy, Francis Glebas, Eric Goldberg, Don Hahn, Pixote Hunt, Gaëtan Brizzi, Paul Brizzi; escrito por Eric Goldberg, Hans Christian Andersen, Joe Grant, Perce Pearce, Carl Fallberg, Gaëtan Brizzi, Paul Brizzi, Brenda Chapman, Elena Driskill, Irene Mecchi, David Reynolds; fotografado por Tim Suhrstedt; editado por Jessica Ambinder-Rojas, Lois Freeman-Fox, Julia Gray, Craig Paulsen, Gregory F. Plotts; com obras musicais de Ludwig van Beethoven, Ottorino Respighi, George Gershwin, Dmitri Shostakovich, Camille Saint-Saëns, Paul Dukas, Edward Elgar, Igor Stravinsky.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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