Em alguns bons filmes, existem alguns milésimos de segundo que você simplesmente esquece que está assistindo a um filme. Seu cérebro está tão dentro da imagem que, durante essa fração de segundo, você se torna um personagem em cena, esquece a barreira do real e do filme.

Já sendo um fã de Ingmar Bergman, eu fiquei impressionado ao constatar com Persona a sua genialidade. É um filme para falar pouco aos outros, pois a grande pegada é a surpresa. Não uma reviravolta, mas uma progressão que lhe atingirá em cheio. A genialidade de Persona está, porém, no uso da imagem (afinal é isso que é o cinema). Todo baseado em luz e sombra (como uma projeção de película costumava ser), Persona brinca com o dentro e fora do campo, com o filme e seu espectador. Com Elisabeth e com Anna.

A magia de Persona acontece justamente naquela fração de segundo que esquecemos que estamos apenas vendo um filme. Quando mergulhamos na imagem, na luz e na sombra da fotografia, nos confundimos com Anna e com Elisabeth, nos confundimos com o que realmente está sendo assistido e o que está sendo vivido. É uma fração de segundo. É menos que isso. Mas quando Persona pega o espectador de jeito, ele não vai querer que o filme largue nunca mais.

  • Prós: o trabalho de mestre (e de mágico) que Bergman faz usando as luzes e as imagens sempre a favor da história. É um drama psicológico dos mais intrigantes que eu já assisti.
  • Contras: nenhum.
  • Veredicto: Persona é uma viagem com ligação direta ao filme, em que esquecemos que é um filme mesmo e nos enganamos com o que estamos vendo. É para ser visto mais de uma vez, devido as diversas camadas narrativas e psicológicas com as quais Bergman aprecia explorar. Nunca é construído para confundir o espectador — Persona é construído para enriquecê-lo.

Persona (1966). Escrito e dirigido por Ingmar Bergman; fotografado por Sven Nykvist; editado por Ulla Ryghe; trilha-sonora composta por Lars Johan Werle; com Bibi Andersson, Liv Ullmann, Gunnar Björnstrand, Margaretha Krook.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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2 comentários

  1. Taí um filmaço, é o meu favorito já tem uns anos, desde que me apaixonei de fato pelo cinema. Na verdade, quando me perguntam sobre meus filmes favoritos sempre cito Matrix, Clube da Luta, Kiil Bill, Quanto Mais quente Melhor e outros que também estão na lista, porém não no topo, falo deles por serem mais acessíveis, raramente alguém gosta quando indico Persona, mas eu sinceramente acho este filme uma verdadeira obra de arte, cinema puro, em sua essência (em termos de direção, fotografia, atuação, roteiro) enfim, é completo e, ouso dizer, perfeito.

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