Eu não vi o filme anterior de Destin Cretton, I’m not a hipster, mas eu tenho a impressão que Short Term 12 é um impulso vindo desse filme. Não há nenhum floreio aqui, beleza no diferente. De fato, não há espaço para os personagens de Short Term 12 se catalogarem. Eles são o que precisam ser.

E talvez essa impressão seja o tiro certeiro em Short Term 12, um filme independente que foge do clima cool, descolado e falso da maioria dos filmes do cinema independente americano. Não há história mal contada aqui, nem mal filmada “para dar um ar de new age”. Não. Cretton é um diretor independente que sabe o que faz um bom filme ser um bom filme. Ele flui uma história baseada totalmente na personagem principal. A atenção é toda para ela. Há um cuidado, desde a primeira cena, de situar o espectador e envolvê-lo no que ele verá durante todo o filme.

E o que vemos — uma jovem assistente em uma “casa para crianças em perigo” que, na chegada de uma criança específica, começa a perceber os reflexos de sua própria infância problemática e tem problemas para conciliar sua vida pessoal da profissional — é um conto de interações humanas. Grace é uma personagem que leva o filme nas costas e Cretton consegue moldar toda a narrativa em volta dela sem a necessidade de causar pena. Tudo é muito orgânico em Short Term 12, todos os personagens se relacionam com um envolvimento impecável. A tensão que o filme gera em torno de Grace é nada mais que a tensão que ela tem consigo mesma. É de um talento notável que um filme capte a situação de sua personagem principal e a emule no filme. Você acompanha Grace de perto, você sente com ela. Short Term 12 é rígido com Grace não porque precisa sufocá-la para que o espectador sinta pena dela. Ele é rígido porque Grace é rígida consigo mesma. Ao tentar ignorar seus problemas na infância, é inevitável que ela prenda ela mesma.

  • Prós: o modo orgânico com que o filme flui, sendo sincero em suas situações e personagens — algo extremamente raro no cinema independente americano; as atuações, principalmente de Brie Larson. Cratton joga os filmes nos braços dela e ela agarra com força.
  • Contras: não há imperfeição em Short Term 12, ele é um dos grandes filmes jamais lançados no Brasil.
  • Veredicto: Short Term 12 é uma das gratas surpresas que tive esse ano. Um filme enérgico e empolgante, moldado todo em volta de uma personagem fascinante. Uma obra de um diretor novato em como ele quer fazer cinema. Não há lugar para hipsters em filmes assim — onde o personagem não tem chance de escolher um diferencial. Ele precisa aprender a sobreviver consigo mesmo.

Short Term 12 (2013). Estados Unidos. Escrito e dirigido por Destin Cretton; fotografado por Brett Pawlak; editado por Nat Sanders; trilha-sonora composta por Joel P. West; com Brie Larson, John Gallagher Jr., Kaitlyn Dever, Stephanie Beatriz, Rami Malek, Alex Calloway, Kevin Hernandez, Lydia Du Veaux, Keith Stanfield.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.