A teatralidade do filme musical é um dos vários problemas que eu vejo no gênero. Parece que ninguém gosta de mexer com as bases desse tipo de filme, porque é tudo uma tentadiva de imitar o que Cabaret fez (só que, convenhamos, ele fez melhor). Apenas Uma Vez foge à regra. Assim como Cabaret, mantém-se a música como tema e como linguagem, mas sai a sensação de palco de teatro e entram as ruas.

Visualmente simples, Apenas Uma Vez é regido pelo casal de personagens, O Cara e A Garota. O diretor John Carney sabiamente parece apenas deixar a câmera rodando e os atores interagindo. É claro, só se consegue um resultado assim com um roteiro bem escrito e muito ensaio (a naturalidade indestrutível de Antes do Pôr-do-Sol se deve à quatro semanas de ensaio, e só uma de gravação), mas a entrega da história para que seus personagens conduzam resulta em um filme que fala através deles, da interação deles e do estilo que ambos exalam em suas músicas.

Feito com músicos reais (ambos fazem parte de uma dupla na Irlanda, inclusive), Apenas Uma Vez deve à essa naturalidade, e na forma como a música serve tanto como linguagem (note a cena da loja de instrumentos, um início de relacionamento transcrito em uma aula de música) como em tema. Isso é um musical que se preze. Essa é a forma do cinema em fazer musicais. Dando ênfase ao personagem, e não ao espetáculo. Porque é principalmente deles que é formado Apenas Uma Vez.

  • Prós: a forma sincera com que o filme é regido através de seus personagens e o uso da música como a linguagem de se transpor uma história que usa essa mesma música como tema de um relacionamento.
  • Contras: nenhum.
  • Veredicto: Apenas Uma Vez possui uma história simples e prática. Você já viu várias vezes coisas parecidas. Mas é na interação dos personagens, e na forma com que ela é contada e como ela é contada, que fazem a diferença. Eu nunca pensei que um musical seria a melhor forma de narrar uma história simples como essa.

Apenas Uma Vez (Once, 2006). Irlanda. Escrito e dirigido por John Carney; fotografado por Tim Fleming; editado por Paul Mullen; trilha-sonora composta por Glen Hansard, Markéta Irglová; com Glen Hansard, Markéta Irglová, Hugh Walsh, Bill Hodnett, Danuse Ktrestova, Gerard Hendrick.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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1 comentário

  1. amo o filme, a história, como ela foi contada e a trilha sonora, enfim, simples assim, um dos melhores filmes ever, pq ser simples eser tão bom é muito mais dificil.

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