O faroeste é um gênero de clássicos. De heróis imortais e de vilões implacáveis. Da conquista e da morte. É quase vergonhoso que eu levei tanto tempo, porém, para conhecer o mais clássico dos clássicos do faroeste: Era Uma Vez No Oeste.

A “dança da morte” de Sergio Leone é uma daquelas épicas viagens cinematográficas que, ao terminar, ao mesmo tempo trazem uma satisfação completa e um gosto de que você poderia passar o resto de sua vida acompanhando aquela história. É, sem exceção, o melhor faroeste já feito. E um dos melhores filmes da história.

Na história, contada no “final” do Velho-Oeste, um misterioso homem que carrega uma gaita (chamado simplesmente de Harmonica), uma ex-prostituta vinda de Nova Orleans, um assassino e um bandido (há diferenças cruciais nesses dois), se cruzam em um confronto de terras e uma vingança pessoal. Seria um crime revelar qualquer detalhe da trama, de tão bem contada e surpreendente que é. Era Uma Vez No Oeste é uma jornada pela descoberta dos desdobramentos, nem sempre dos motivos.

Um grande filme, sem dúvida nenhuma, Era Uma Vez no Oeste possui um trabalho estético e sonoro sem precedentes. Leone extrapola toda a sua técnica no que acreditava ser seu auge em Três Homens em Conflito. De grandes paisagens a closes extremos, quase desconfortáveis, o diretor italiano busca muito mais que o confronto de pistolas que tornaram o faroeste o clássico que é. Seus confrontos são rápidos, pois o que lhe interessa é o que vem antes — aquela mentirosa calma — e o depois, a turbulência de uma tempestade. O ser humano não tem uma representação mais potente no cinema. É cruel? Sim. Mas o progresso é construído acima do sangue.

  • Prós: tudo. Era Uma Vez No Oeste é o maior faroeste já feito. Seja na jornada dos personagens, no trabalho com a câmera, na edição de som… tudo, separadamente, funciona perfeitamente. Juntos, porém, eles se potencializam, e se tornam em um dos maiores contos já filmados.
  • Contras: absolutamente nenhum.
  • Veredicto: poderosíssimo, Era Uma Vez No Oeste é um dos grandes filmes que tive o prazer de conhecer esse ano. Está junto com Uma Mulher Sob Influência: uma jornada pela vida de personagens tão reais, tão físicos, tão profundos, que se você se aproximar da tela poderá sentir o fedor do suor.

Era Uma Vez No Oeste (C’era Una Volta Il West, 1968). Itália, Estados Unidos. Dirigido por Sergio Leone; escrito por Sergio Leone, Sergio Donati, Dario Argento, Bernardo Bertolucci; fotografado por Tonino Delli Colli; editado por Nino Baragli; trilha-sonora composta por Ennio Morricone; com Henry Fonda, Claudia Cardinale, Jason Robards, Charles Bronson, Gabriele Ferzetti, Paolo Stoppa, Woody Strode, Jack Elam, Keenan Wynn, Lionel Stander, Frank Wolff, Livio Andronico, Salvatore Basile, Aldo Berti, Frank Braña, Marilù Carteny, Saturno Cerra, Luigi Ciavarro.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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