A ideia inicial de Uma História de Amor e Fúria seria narrar apenas a parte futurista. Ia se chamar “Rio 2096” e foi, durante bastante tempo, trabalhado por apenas essa seção. É notável que essa seja a parte mais bem desenvolvida.

Uma História de Amor e Fúria é, muito provavelmente, a melhor animação já feita no Brasil. É bem adulta, é verdade, mas há uma beleza intrínseca na história que atravessa várias gerações (a chegada dos portugueses, a escravidão, o golpe militar e uma futura guerra pela água). O problema começa, porém, quando justamente a estrutura não se sustenta. Um filme que narra os mesmos personagens, nem que sejam suas encarnações, em várias histórias ou gerações, tendem a caírem na inconstância, ou até mesmo desgringolarem (quem lembra aqui de A Viagem?).

Uma História de Amor e Fúria passa longe de erros fáceis. A estrutura pode não ajudar pelos pontos altos e baixos que ela deixa explícito, mas a poética do filme é realmente bela e, se não fosse pela maneira muito básica de como trata seus temas (as minorias batalham e são castigadas pelos vencedores), ele se sobressairia em um ano de ótimos filmes nacionais. O filme realmente convence com a história em Rio 2096, justamente por ter sido a mais bem trabalhada história de todas. Talvez fosse mais acertado apostar só nela.

  • Prós: Uma História de Amor e Fúria possui momentos belíssimos e poéticos, sacadas geniais e uma linda técnica de animação que mistura simulações de CGI com pinturas.
  • Contras: a falta de tratamento do roteiro. A estrutura de ação e reação imediata não funciona em filmes geracionais.
  • Veredicto: é muito bonito, e muito bem feito. Em momentos, inclusive, Uma História de Amor e Fúria chega a ser poético. Mas o problema é que, com a simplicidade que trata seus temas e a progressão deles, deixa muito a desejar. Não adianta dizer que a história é feita pela fúria, e não o amor. É preciso argumentar.

Uma História de Amor e Fúria (2013). Brasil. Escrito e dirigido por Luiz Bolognesi; editado por Helena Maura; trilha-sonora composta por Rica Amabis; com as vozes de Selton Mello, Camila Pitanga.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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