Em Ervas Daninhas, seu filme de 2009, Alan Resnais provava ao mundo que, mesmo aos oitenta anos, era o diretor mais perspicaz em montar, e desmontar, um roteiro. Ele quebrava expectativas no meio do filme e criava novas a partir da decepção. É um ótimo filme por causa disso. Hiroshima, mon’amour é um grande filme porque não quebra expectativa nenhuma. Ele cria uma acima da outra, satisfazendo-as consecutivamente.

Marco da nouvelle vague, Hiroshima, mon’amour é um conto dentre uma atriz francesa e um arquiteto japonês na Hiroshima após a guerra. Uma história de amor e sofrimento escrito pela excelente Marguerite Duras (de Bientôt L’été), Hiroshima é dirigido com uma delicadeza incontrolável por Resnais, estruturado em flashbacks sensacionais.

Sua revolução de estrutura vai além pela riqueza que dá aos personagens, o grande cerne da nouvelle vague. Hiroshima, mon’amour, mais que Acossado ou Os Incompreendidos, é a centralização de personagem na narrativa. Na relação entre eles e entre o cenário. É de extremo valor histórico, sim, mas talvez mais importante ainda: é um grande filme de personagens que acompanham o espectador pela vida. Não há realização maior para um diretor do que criar obras imortais.

  • Prós: o cuidado que Resnais dá pela história e, principalmente, pelos seus personagens (Emmanuelle Riva, excelente);
  • Contras: como todo o filme da nouvelle vague, e principalmente de Resnais, o espectador leva um tempo para se ambientar à estrutura da obra.
  • Veredicto: Hiroshima mon’amour é um dos grandes ápices do movimento francês que redefiniria as prioridades do cinema. Este, ao criar vínculos tão fortes entre os personagens e os espectadores, talvez seja a realização de maior sucesso. E mais eterna.

Hiroshima, mon’amour (1959). Dirigido por Alan Resnais; escrito por Marguerite Duras; fotografado por Sacha Vierny, Michio Takahashi; editado por Henri Colpi, Jasmine Chasney, Anne Sarraute; trilha-sonora composta por Georges Delerue, Giovanni Fusco; com Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud, Bernard Fresson.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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