“Sua punição, minha pobre Angèle, é ser você. Ter que viver consigo mesma”. O Mr. Oscar diz isso para Angèle, uma das personagens de Holy Motors. Mas é difícil de definir se ele fala dela ou do filme em si.

Holy Motors é praticamente um evento. Depois de onze anos, Léos Carax volta à direção em um filme nada menos que soberbo. Surreal e fascinante, Holy Motors é uma enorme celebração do cinema, da interpretação, e até mesmo da vida. O que seria o Mr. Oscar, que muda a todo o tempo de papel, senão os vários ninguém que cruzamos todos os dias?

É difícil falar de Holy Motors sem entregar um pouco da magia do filme. É, óbvio, uma alegoria. Um enorme furacão de referências e de ideias. Nenhuma delas é muito certa, e tudo o que resta é o espectador para ligar os pontos. Nós sabemos que vamos acompanhar um dia inteiro na vida do Mr. Oscar, enquanto ele passa de vida a vida como um assassino passa de vítima a vítima. Ele é um mendigo, um mafioso, um empreendedor, um monstro, uma mulher, um velho, uma criança, um pai. Holy Motors não é um filme agradável porque ele levanta perguntas e não trata de respondê-las, sequer formulá-las direito. Ele é bem específico para um tipo de especador que gosta de ser chamado de bobo, porque isso na verdade não tem problema. O que vale é a jornada.

E, pulando de jornada em jornada. De sonho em sonho, de loucura a loucura, Holy Motors é uma deliciosa, surreal realidade.

  • Prós: que ideia magnífica.
  • Contras: que confusão.
  • Veredicto: que baita filme. Que divertido, misterioso, burro e inteligente. Holy Motors é uma celebração ao cinema. Não ao cinema impecável de Tabu, mas ao cinema que erra, ao cinema que falha, e ao cinema que diverte. E, olha só, ele faz tudo isso. E justamente isso o torna impecável.

Holy Motors (2012). França, Alemanha. Escrito e dirigido por Léos Carax; fotografado por Yves Cape, Caroline Champetier; editado por Nelly Quettier; trilha-sonora composta por The Divine Comedy, Kylie Minogue; com Denis Lavant, Édith Scob, Kylie Minogue, Eva Mendes, Élise Lhomeau, Michel Piccoli, Jeanne Disson, Léos Carax, Jean-François Balmer, Nastya Golubeva Carax, Reda Oumouzoune, Zlata, Geoffrey Carey, Anabelle Dexter Jones, Corinne Yam.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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