O que acontece com Capitão Phillips é que ele é um excelente filme que pertence a um tipo de filme que eu não gosto. Isso acontece bastante, com uma frequência considerável. E aqui o caso é um tanto pior: é realmente um excelente filme — acima da média para biopics —, com boas atuações e uma direção ritmada. O problema mesmo é que, pessoalmente, esse tipo de filme não me envolve.

Não me envolve porque, em geral, biopics são extremamente mentirosas, embora baseadas em fatos reais. É o caso de A Lista de Schindler, em que um filme anula completamente fatos que deteriorem com a história contada, afim de criar heróis. Como eu não me aprofundei na história do que realmente aconteceu no sequestro do capitão em 2009 por piratas somalis, eu não posso dizer o quanto isso aconteceu aqui, se aconteceu. O fato é que me incomoda de qualquer forma.

Mas fora isso, é inegável que Capitão Phillips é realmente um filme potente. Dirigido por Paul Greengrass, um diretor de pleno domínio ritmico, a fita nunca consegue perder fôlego. É um excelente condutor de personagens (e há poucos elogios maiores que esse para um diretor) que faz com que cada uma das personas se desenvolva através de escolhas e ações, um princípio da dramaturgia clássica. Desde a trilogia Bourne, Greengrass parece amadurecer sua habilidade técnica sobre a escala de cada um de seus personagens (veja como ele filma o navio americano e o bote somali) sem juízos de valor. E aqui, ele tem a ajuda de Tom Hanks, que parece finalmente ter acordado depois de tanta atuação ruim, Barkhad Abdi, um somali novato.

É um excelente filme, vale muito a conferida.

  • Prós: a soberba direção de Paul Greengrass e as atuações também excelentes de Hanks e Abdi; o modo como o roteiro é construído.
  • Contras: não é meu tipo de filme predileto, então não chega a me empolgar muito além do básico.
  • Veredicto: Capitão Phillips é sim um excelente filme de drama, com uma ação filmada como ninguém, e uma revitalização da biopic, o filme biográfico, para algo mais ágil e menos mentiroso. Paul Greengrass é a melhor coisa que poderia ter acontecido a um tipo de filme assim: ele revigorou e, quem sabe, me acordou pra esse gênero.

Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013). Estados Unidos. Dirigido por Paul Greengrass; escrito por Billy Ray, Richard Phillips, Stephan Tatty; fotografado por Barry Ackroyd; editado por Christopher Rouse; trilha-sonora composta por Henry Jackman; com Tom Hanks, Catherine Keener, Max Martini, Yul Vazquez, Michael Chernus, Chris Mulkey, Barkhad Abdi.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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