O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei é, para todos os efeitos, o maior épico fantástico já feito. Além de ter uma duração absurda (quase três horas e meia), o filme é épico em cada frame, em cada segundo onde as batalhas que definirão o rumo da Terra-Média têm foco. É lindo de se ver e de se ouvir e, é uma pena, acaba muito mal.

Não me entendam mal, mas eu não consigo suportar a ideia do final de O Retorno do Rei. É totalmente perdida, ao meu ver, e fácil. Manda eles pro céu porque eles merecem. Por favor né? Uma das maiores sagas, literárias e cinematográficas, merecia um ponto final melhor.

Bem, isso é um problema do filme porque o filme a mantém. Uma adaptação não quer dizer que você precise tornar cada linha de um livro transposta para um frame, significa que você pega o centro, o que torna O Senhor dos Anéis um Senhor dos Anéis, e emprega em outra mídia. As Duas Torres fez isso com perfeição, adaptando o que não era cinematograficamente satisfatório em algo que, se é fraco na literatura, funciona bem no filme.

Óbvio, à exceção do final e da centralização na trama no Frodo (um personagem que consegue enfraquecer um filme), O Retorno do Rei é uma obra épica. Todas as histórias paralelas, que definem o rumo dos reinos da Terra-Média, são incríveis, e seus personagens têm seus conflitos maiores desenvolvidos plenamente. Gandalf, de longe meu personagem favorito da trilogia, é ainda mais interessante e enquanto corre pelos vales o filme é a grande persona do filme.

De resto, tudo se mantém. Sendo um filme final, ele não tem um início e, se você não viu os anteriores, vai se sentir um tanto perdido, mas há muitos arcos que se abrem e se fecham em O Retorno do Rei para lhe ser de interesse. O arco principal do filme, o do Frodo, é fraquíssimo e eu realmente tento ignorar essa parte, enquanto ela desfavorece o todo. Se você viu os outros dois, e teve fôlego pra ver tudo de uma vez (são mais de nove horas de filme, é muita coisa), O Retorno do Rei é o filme: ele dá o auge tecnológico do visual e do som (a trilha sonora de Howard Shore é perfeita aqui). Ele só não dá a droga de um bom fim aos seus personagens.

  • Prós: a irretocável beleza visual e sonora; os incríveis combates pela Terra-Média;
  • Contras: o foco na jornada de Frodo e o final.
  • Veredicto: da Trilogia do Anel, O Retorno do Rei é o que eu menos gosto. É um baita filme, sem dúvidas, mas o gosto amargo da decepção ao presenciar uma realização bastante superior com As Duas Torres é grande. Ele é insuportavelmente belo e bem dirigido. O problema mesmo é em Frodo, um personagem insustentável, e no final. Tire isso, você tem uma excelente conclusão.

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King, 2003). Estados Unidos, Nova Zelândia, Alemanha. Dirigido por Peter Jackson; escrito por Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, baseado no livro “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” escrito por J.R.R. Tolkien; fotografado por Andrew Lesnie; editado por John Gilbert; trilha-sonora comporta por Howard Shore; com Elijah Wood, Viggo Mortensen, Miranda Otto, Christopher Lee, Brad Dourif, Ian McKellen, Cate Blanchett, Billy Boyd, Orlando Bloom, Andy Serkis, Sean Astin, Marton Csokas, Bernard Hill, Ian Holm, Bruce Hopkins, Dominic Monaghan, John Rhys-Davies, Liv Tyler, Karl Urban, Hugo Weaving, David Wenham, John Bach, Alistair Browning, Sadwyn Brophy, Ian Hughes, Sarah McLeod, Paul Norell, Bruce Phillips, Harry Sinclair, Peter Tait.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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