O cinema de Richard Linklater é nada menos que sensacional. Diretor de filmes que se passam em períodos de tempo curtíssimos (de noventa minutos até um dia, na maioria das vezes), suas obras são baseadas no tempo, na percepção e no diálogo. São os três pilares de seu cinema que encontram expressões românticas (a trilogia iniciada em Antes do Amanhecer), discursivas (It’s Impossible Learn to Plow by Reading BooksSlacker) ou imaginativas (Waking Life). Ou, como em Jovens, Loucos e Rebeldes, no furor e nostalgia.

Aqui, temos o último dia no colégio. É 1976, e os formandos rotulam este como o melhor dia do resto das suas vidas, onde vários personagens irão beber, se drogar, ter as melhores conversas de suas vidas, ouvir suas músicas favoritas… são vários personagens, cada um com seus próprios planos e aspirações, e sendo o sênior year, é impossível não deixar de lado o sentimento de renovação que ele traz. É o dia deles, o dia em que algo pode acontecer.

Jovens, Loucos e Rebeldes não traz só a essência do último dia de aula. Ele traz algo mais que isso. Feito em 1993, tratando sobre 1976, o filme lida com a nostalgia. Ele não procura ser um filme que capte como é o dia onde jovens bebem, se drogam, dançam uma boa música, transam… ele é sobre como as pessoas lembram disso. É uma mudança visualmente irrelevante, mas narrativamente essencial. Linklater uma vez disse que a nostalgia é um fruto patológico sobre as pessoas lembrarem de coisas puras que, na verdade, nunca existiram. O dia retratado em Jovens, Loucos e Rebeldes talvez não tenha sido o furor que o filme retrata — mas é assim que aqueles jovens lembrariam dela. O evento de suas vidas (quem não tem um?). São os jovens que esperam algo que irá acontecer; e eles mesmos lembrando que o que aconteceu já é o suficiente.

  • Prós: os excelentes atores (a maioria estreante) em performances não menos que incríveis; uma trilha-sonora impecável; e o sentimento de nostalgia, de excitação, de um dia que é lembrado como único.
  • Contras: nenhum.
  • Veredicto: Jovens, Loucos e Rebeldes é mais um retrato da percepção do tempo que Linklater gosta de aplicar em seus personagens. Como eles lembram os acontecimentos que podem não ter nada demais, mas que para eles é especial. Ao mesmo tempo que é agitado, é um filme sensível e intimista, que busca nas expectativas e nas lembranças de seus personagens o sentimento de que sim, esse é o melhor dia da vida deles.

Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused, 1993). Escrito e dirigido por Richard Linklater; fotografado por Lee Daniel; editado por Sandra Adair; com Jason London, Rory Cochrane, Wiley Wiggins, Michelle Burke, Matthew McConaughey, Milla Jovovich, Joey Lauren Adams, Parker Posey, Nicky Katt, Anthony Rapp, Adam Goldberg, Marissa Ribisi, Cole Hauser, Sasha Jenson, Ben Affleck.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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