Upstream Color (2013)

Qual é o lance de Upstream Color? Eu realmente acho que perdi algo vital para gostar do filme. Tem realmente algo solto ali.

Se você já viu ou não se importa em saber a história (até porque não faz muita diferença), acompanhe comigo: temos um cara que  tira de orquídeas umas larvas, coloca elas em bebidas ou em pílulas e distribui por aí. As pessoas adoecem, ele as “recolhe” e cuida, enquanto rouba seu dinheiro. Certo. Daí ele pega uma mina, que sei lá porque deixa que ele fique cuidando dela na casa dela e tal, e ela faz absolutamente tudo que ele manda até que um dia ele some. Daí ela sai correndo por aí e encontra um cara que tira a lombriga dela e coloca em um porco. TÁ BEM. A partir daí melhora, olha só: ela conhece um cara que, suponho eu, também foi infectado com esse bicho e também foi salvo por esse outro cara que coloca os vermes em porcos. Eles começam um relacionamento, e as lembranças deles começam a se confundir (“essa memória é minha”, “eu juro que quem viveu isso foi eu”) e, pra não parar por aí, eles sentem o que os porcos sentem também. Quanto a porca engravida, ela acha que tá grávida, e quando o cara lá que parece um ex-médico tira os filhotes dela e atira no rio, a gente vê a mulher desesperada procurando por eles. Daí os filhotes, mortos, “abrem” e começam a gerar orquídeas. Sim, as mesmas que o ladrão lá no início colheu. E daí o casal mata o criador de porcos e esse ciclo se rompe.

Desculpa a frustração. Eu precisava narrar o que eu tinha pegado de Upstream Color pra ver se não deixei nada pra trás. Até aí, tudo bem, tem filme B sci-fi mais estranho que isso, mas o diretor Shane Carruth busca nessa história uns sentidos metafísicos (o casal sente a vida um do outro porque a própria vida deles é incompleta) com uma fotografia desprendida do som (tipo o que Terrence Malick fez em Amor Pleno, mas convenhamos). Eu não posso dizer que não gostei de Upstream Color, porque quando chega no final, quando o ciclo se fecha, até que rola um sabor de satisfação. Mas não posso afirmar que eu adorei.

  • Prós: se Upstream Color tem qualidades, elas vão pra narrativa sensorial, pra história (que demora pra se desenrolar mas quando se fecha é até que interessante) e pras atuações (eu me sentiria um idiota fazendo o que eles fazem).
  • Contras: assim como O FuturoUpstream Color faz parte daquele cinema-como-arte-contemporânea, onde o que mais vale é a sensação que se está sentindo no filme. Desculpa, eu não senti nada.
  • Veredicto: não é um filme ruim (vi muito filme ruim esse ano então acho que tenho propriedade pra falar), mas Upstream Color me deixou com um sabor amargo na boca. Eu não havia lido nada sobre ele, mas o pôster me chamou a atenção. O resultado é estranho e incompleto. Mas quando termina, e você para pra pensar, e se esforça muito, até que o filme ganha significado e qualidades. Não é um elogio propriamente dito, porque pra mim um significado forçado vale menos que nenhum significado.

Upstream Color (2013). Estados Unidos. Escrito, dirigido por Shane Carruth; fotografiado por Shane Carruth; editado por Shane Carruth; com Shane Carruth, Amy Seimetz.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

Uma consideração sobre “Upstream Color (2013)”

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