Tenho absoluta certeza que O Lutador é o melhor filme de Darren Aronofsky. Diretor de filmes perturbadores, mas incríveis (como Réquiem para um SonhoCisne Negro), Aronofsky não tem medo do impacto. E, quando falamos desse seu incrível filme de 2008, “impacto” é o que não falta.

O Lutador não mexe com manias, neuroses e obsessões, como trataram os filmes anteriores (e o posterior) do diretor. Essa dissonância é favorável aqui porque Aronofsky sabe que não há porque tratar dos vícios do The Ram. Ele já passou de sua própria época e o tempo de se estabelecer já passou. The Ram é um lutador não só por causa de suas sangrentas performances no ringue da luta livre. Ele é um lutador porque luta com sua própria vida para, quem diria, sobreviver.

Se The Ram não tem pra onde ir, o que fazer, quem amar, o que lhe resta? O Lutador é sobre a última perspectiva. Quando aquilo que dá sentido à nossa existência é tirado de nós, o que nos tornamos? The Ram não se nega em tentar mudar, mas a vida que ele próprio lutou pra ter e agora luta pra enfrentar não lhe deixa escolha. É no grito da plateia cada vez mais vazia, é no timbre dos parafusos frouxos do ringue, é no sangue que lhe escorre pelo nariz, pela boca, pelos braços e pelo peito que The Ram vive. É lá que a vida não o impede, afinal, de viver.

  • Prós: o exímio cuidado do filme de estar sempre próximo ao The Ram, mas nunca invadir seu espaço; a atuação de Mickey Rourke, no papel de sua vida.
  • Contras: ao mesmo tempo eu adorei o final do filme, mas poderia ter terminado ele uns minutos antes, com The Ram entrando no ringue. Seu destino a partir dali já não nos é de direito mais.
  • Veredicto: em um filme impecável, Darren Aronofsky cria um conto intimista e extremamente brutal de um dos mais incríveis personagens que eu tive o prazer de ver em um filme. O Lutador é triste, sim. É também perturbador. Mas antes de tudo, é vitorioso. The Ram vive para sempre no cinema.

O Lutador (The Wrestler, 2008). Estados Unidos. Dirigido por Darren Aronofsky; escrito por Robert D. Siegel; fotografado por Maryse Alberti; editado por Andrew Weisblom; trilha-sonora composta por Clint Mansell; com Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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