Um homem, sua amante e sua irmã mais nova vão para uma fazenda no período de ensacar o trigo. Lá, o fazendeiro se apaixona pela mulher, e o casal decide que ela deve se casar com ele para que ambos usufruam do dinheiro. Até que a mulher começa a se apaixonar de verdade pelo fazendeiro.

Para Terrence Malick, o filósofo diretor de Além da Linha VermelhaTerra de NinguémA Árvore da Vida, a história do triângulo amoroso não se resume aos conflitos do amor, algo que ele viria a tratar mais afundo com a canção Amor Pleno. Em Cinzas do Paraíso, Malick usa a dúvida e a paixão para retratar, nos campos texanos em 1910, histórias humanas em meio ao divino.

Todos os conflitos dos personagens são em meio aos imensos campos amarelados, sob o céu sempre crepuscular, em que os ventos são mortais, e em que na revoada de gafanhotos se esconde o perigo. É aí que Malick exibe humanos perdidos em seus desejos e em suas dúvidas, e o fogo infernal que assola o filme em um momento realmente assustador é quase que um alerta divino para a desgraça humana. Malick, longe de ser catedrático, apenas filma. E nunca, antes ou depois, se filmou algo tão lindo. Cinzas do Paraíso, além de um ensaio sobre o desejo humano e seu limite, é um feito único de cinematografia. E saliento o único.

  • Prós: nunca antes ou depois se filmou algo tão lindo quanto as imagens de Cinzas do Paraíso. Todas captadas na hora mágica (cerca de vinte, trinta minutos por dia), as imagens traduzem os desejos, as paixões e as perdições dos personagens em meio à grandiosidade dos campos. A pequenez humana nunca foi tão surpreendente.
  • Contras: como a maioria dos filmes do diretor, a história é para os detetives. Se você esperar por algo minimamente explicado, irá se decepcionar. Cinzas do Paraíso é para ser visto observando os detalhes, os olhares, as movimentações.
  • Veredicto: belo como nenhum filme antes ou depois dele, Cinzas do Paraíso é também um conto poderoso sobre a perdição humana. Sem ser religioso ou cético, Malick exprime em tela, com uma beleza e uma técnica nunca antes vistos, uma narrativa minimalista em detalhes, mas completa em significados. Um clássico.

Cinzas do Paraíso (Days of Heaven, 1978). Estados Unidos. Escrito e dirigido por Terrence Malick; fotografado por Néstor Almendros; editado por Bill Weber; trilha-sonora composta por Ennio Moriccone; com Richard Gere, Brooke Adams, Sam Shepard, Linda Manz.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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