Quando eu vi Pina, o documentário em 3D de Wim Wanders, pela primeira vez no meio do ano passado, eu saí extasiado.  Pina é o ápice da execução em 3D, o uso mais magnífico da profundidade de campo até hoje. E nem mesmo O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, com seus frames a mais, consegue superar tal feito.

A diferença básica entre Pina e essa primeira parte de O Hobbit é que um deles usa a tecnologia com um significado estético, e não apenas como uma vitrine tecnológica. Esse é o maior problema de Uma Jornada Inesperada. Por mais que seja no mundo fascinante da Terra-Média de Tolkien, o filme simplesmente não se sustenta. Nem mesmo com os belíssimos efeitos visuais que, em O Senhor dos Anéis, casavam com os atores reais em cenas incríveis, e que aqui estão muito mais para o impressionismo.

Não me leve a mal. Uma das mágicas do cinema é de dar vida àquilo que não existe. Os hobbits, os trolls, os dragões… tudo em O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é de uma beleza surreal. Mas o roteiro, visivelmente esvaziado devido à matéria-prima nada longa (O Hobbit, o livro, é muito menor que um fascículo da trilogia do anel), tira qualquer verdadeiro motivo para que toda essa beleza exista. Usando de uma maneira completamente tosca os 48 quadros por segundo (mais quadros significam uma abordagem diferente de filmagem, e não uma técnica clássica), O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é só um filme mediano que aparece às centenas todos os anos, com lindos visuais mas completamente esquecíveis.

  • Prós: a sempre estonteante beleza e riqueza cultural da Terra-Média;
  • Contras: a extensão exageradíssima dessa primeira parte, que deve ficar ainda pior nos próximos dois filmes.
  • Veredicto: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é a prova de que apresentar uma nova tecnologia em um universo impressionante não significa um filme bom. Diferente de Avatar, que apresentou o 3D em uma magnitude até então desconhecida, e Pina, que explorou essa profundidade como até hoje ninguém fez, O Hobbit não usa nenhuma de suas várias tecnologias com primor — não por culpa delas, mas por culpa de algo mais primordial: o roteiro.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, 2012). Estados Unidos, Nova Zelândia. Dirigido por Peter Jackson; Escrito por Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro, baseado no romance “The Hobbit”, escrito por J.R.R. Tolkien; fotografado por Andrew Lesnie; editado por Jabez Olssen; trilha-sonora composta por Howard Shore; com Cate Blanchett, Luke Evans, Elijah Wood, Martin Freeman, Benedict Cumberbatch, Andy Serkis, Hugo Weaving, Orlando Bloom, Stephen Fry, Christopher Lee, Evangeline Lilly, Ian McKellen, Richard Armitage, Ian Holm, Lee Pace, Aidan Turner, Bret McKenzie, James Nesbitt, Mikael Persbrandt, Barry Humphries, Graham McTavish.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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