Frances Ha (2012)

Por favor, só leia após assistir Frances Ha, é um filme que requer uma absorção sem qualquer pré-julgamento.

Como Frances corre em Frances Ha. Vemos ela atravessar, com os braços balançando no ar, no mínimo uma meia-dúzia de ruas pela Nova York. Frances é mais uma das jovens que se veem chegando aos trinta anos, em que as oportunidades abertas quando saía da faculdade acabaram, e que ela não é mais o prodígio prometido. Ela é, via de regra, qualquer um. Ela sou eu, e provavelmente ela é você também.

Mas cada derrota que Frances leva é respondida com um otimismo perfeito. Chega a chocar quando sua amiga a troca por uma outra garota que mora em um lugar melhor localizado, ou quando ela vê que sua capacidade é aquém de seu sonho. Quando ela perde uma noite boa porque o recado não chegou a tempo. E como ela leva sua vida, cada vez mais sem perspectivas de grandes feitos, sempre com seu otimismo irrepreensível.

É esse otimismo que realça Frances Ha, um filme tristíssimo sobre a realidade. Aquele exato momento em que o jovem se depara com a sua própria realidade: não tem dinheiro, não tem talento, seus amigos já “cresceram”, e se vê parado em uma perspectiva que não existe mais. A cada soco, Frances mostra a seus amigos um contorno que, mesmo sendo mentira, os faz se sentir melhor quanto a ela. Em seu otimismo, em seu sorriso franco e em sua dor (porque, poxa, Frances Ha é um dos filmes mais tristes que eu já vi), Frances é um fôlego para quem, assim como eu, está tão perdido quanto ela.

Frances Ha é uma comédia das mais tristes, das mais nouvelle vague, das mais inspiradoras. Você deve assistir Frances Ha, é um favor a si mesmo.

  • Prós: Greta Gerwing, que escreve e estrela Frances Ha, é um assombro: sua personagem é um colossal misto de otimismo e de fracasso, uma personagem que corre (e como corre) em busca de suas perspectivas perdidas, e é o centro de um filme irretocável.
  • Contras: ele é o tipo de filme que eu gostaria de ver sempre — mas não posso.
  • Veredicto: inspirador, engraçado e muito, mas muito triste, Frances Ha é um retrato profundo e trágico da realidade de uma juventude que é dada como nascida em oportunidades. Frances, uma ex-prodígio, é o retrato de que o otimismo que se tem quanto a juventude precisa viver muito mais em quem faz parte dela. É um filme antológico, que eu pensei que não veria mais esse ano, depois de Antes da Meia-Noite. É incrível. Simplesmente incrível. E muito necessário.

P.S.: eu só fui achar a referência de Frances Ha à nouvelle vague quando cheguei em casa e vi o pôster de Acossado. É um filme da nova onda francesa, feito nos EUA em 2012.

Frances Ha (2012). Estados Unidos.  Dirigido por Noah Baumbach; escrito por Noah Baumbach, Greta Gerwig; fotografado por Sam Levy; editado por Jennifer Lame; com Greta Gerwig, Mickey Sumner, Charlotte d’Amboise, Adam Driver, Hannah Dunne, Michael Esper, Grace Gummer, Patrick Heusinger, Josh Hamilton.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

Uma consideração sobre “Frances Ha (2012)”

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