Fish Tank (2009)

Quando eu vi Weekend no início do ano tive aquela surpresa de ver um filme que nunca havia ouvido falar, sem qualquer influência de alguma outra opinião ou preparação para o que assistir. E ele não podia ter me surpreendido mais, sendo até hoje um dos melhores filmes que eu vi esse ano (e, quem sabe, não só desse). Mais de seis meses depois eu levo outra pancada com Fish Tank.

Aqui, ao invés do casal que tem só um final de semana, temos uma jovem em um lar destrutivo. A esperança para esse seu inferno é Connor, o novo namorado da doentia mãe, que enche a jovem de amor.

Existe muito em comum entre Weekend e Fish Tank. Ambos são filmes de circuito independente no Reino Unido, o que significa que dificilmente sairiam de seu país de origem. Ambos devem o zelo internacional à Criterion, que os lançaram em versões caprichadas em blu-ray. Fora esses detalhes de circuito, os dois também se aproximam no mundo que filmam. Um Reino Unido não formado pela sua monarquia, pelo serviço secreto ou pelos luxuosos londrinos, mas pela margem social. Jovens pobres, problemáticos, que são expulsos de escolas, ou se escondem em becos para transar. E, por mais que em Weekend o casal tenha uma urgência temporal em seu relacionamento, eles estão desesperados para se relacionarem um com o outro. É quase o mesmo que acontece aqui. Mia quer ser amada.

Fish Tank é de uma sensibilidade impressionante, que normalmente seria soterrada pela comédia se fosse do circuito independente americano. Nesse filme muito inglês, porém, não há espaço para uma trivialidade que remeta ao riso. A vida de Mia é complicada, e a diretora não nos poderia privar de exibir os motivos dela ter criado uma carapaça que poucos conseguem adentrar. Quando Connor aparece, e quando ela desenvolve seus sentimentos por ele, Fish Tank brilha. É impossível não se fascinar com um filme tão simples e tão poderoso, tão urgente e sincero. Mais uma ótima surpresa desse circuito inglês bastante restrito. Uma enorme, satisfatória surpresa.

  • Prós: tudo. Fish Tank é um filme de simplicidade enorme na sua técnica, e com pleno domínio do que quer falar. A jornada Mia pelos seus sentimentos por Connor não poderia ser mais poderosa.
  • Contras: uma vergonha que tanto Fish Tank quanto Weekend não apontem por aqui.
  • Veredicto: poderoso e sincero, Fish Tank é um filme inesquecível, que você carrega por tempos. Porque você entende Mia, você sente o que ela sente. Para um filme de estréia, se aproximar assim de seu personagem, torná-lo tão íntimo e tão importante, é uma tarefa quase que ingrata. E que torna Fish Tank uma jóia rara.

Fish Tank (2009). Reino Unido, Países Baixos. Escrito e dirigido por Andrea Arnold; fotografado por Robbie Ryan; editado por Nicolas Chaudeurge; com Katie Jarvis, Michael Fassbender, Kierston Wareing, Rebecca Griffiths, Harry Treadaway, Sydney Mary Nash, Jason Maza.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

Uma consideração sobre “Fish Tank (2009)”

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