E Capitu termina em beleza. É uma pena que eu não consegui ver as partes em sequência, porque é certamente uma produção que exige essa dedicação.

A leitura de Dom Casmurro que Luiz Fernando Carvalho faz, uma adaptação e uma interpretação, é riquíssima em recursos e entendimentos. Ao final, Capitu se mostra uma produção poderosa por sua personagem título em si, muito mais que na história de Bentinho. Mas aí está o acerto: Luiz Fernando Carvalho tira os holofotes de Dom Casmurro e põe diretamente nos motivos de paixão e perdição do homem. A incrível interpretação da cruel dúvida de Bentinho é tratada com paixão aqui. Não poderia ser deixado de lado, claro.

Mas é, preciso repetir, é em Capitu que vive o grande ápice dessa produção. As duas atrizes, Letícia Persiles e Maria Fernanda Cândido, fazem de Capitu não uma entidade — ela não é dessa pureza —, mas uma musa, sim. Como a Camila Pitanga em Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, a Capitu aqui carrega o fardo da adoração e, ao final, a tragédia é iminente. Se no filme de Beto Brant a tragédia é cruel, aqui é lírica, como Machado a escreveu. Para uma leitura, não há melhor elogio.

  • Prós: ao final, é impossível não elogiar cada aspecto de Capitu. Não só toda a produção cenográfica, a obra surpreende pela sua literalidade e liberdade criativa, além de possuir atuações fascinantes.
  • Contras: como qualquer leitura de uma obra para outra mídia, seria mentira eu falar que tudo em Capitu é inquestionavelmente relevante. Com as cinco horas de duração e a transposição palavra-por-palavra, existe muito ali que poderia não aparecer.
  • Veredicto: Capitu é de um cuidado máximo. Cada cenário, cada figurino, cada posicionamento e cada sequência estão ali com propósito. Se a extensão, e a literalidade, tendem a incomodar um pouco, é praticamente nada no saldo final. E, claro, temos Maria Fernanda Cândido sendo a mais apaixonante Capitu.

Capitu (2008) — parte quatro (de cinco). Escrito e dirigido por Luiz Fernando Carvalho, baseado no livro “Dom Casmurro” de Machado de Assis; fotografado por Adrian Teijido; editado por Márcio Hashimoto Soares; trilha-sonora composta por Tim Rescala; com Michel Melamed, Maria Fernanda Cândido, Eliani Giardini, Letícia Persiles, César Cardadeiro, Pierre Baitelli, Rita Elmôr; Antônio Karnewale.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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