Estabelecer uma franquia cinematográfica é uma tarefa ingrata. É investido muito dinheiro, muitos nomes conhecidos, e o retorno não é garantido. A tarefa é ainda mais ingrata quando a equipe já havia estabelecido uma franquia de sucesso antes. É exatamente o caso de O Cavaleiro Solitário.

Essa nova visita ao clássico da década de 1930 é esforçada. O Cavaleiro Solitário é cheio de referência aos clássicos de faroeste (do spaghetti ao dos Cohen), tem um personagem principal bacana e um amigo-engraçadão que, como é de praxe, salva o filme do tédio. O maior problema, porém, fica na enorme pretensão de criar uma trilogia. O diretor Gore Verbinski se esforça em colocar ritmo à história para se transformar em um novo Piratas do Caribe, e existem momentos genuínos em que isso acontece.

O Cavaleiro Solitário funciona muito mais como um lamento dos perdedores — afinal, na corrida pelo Velho-Oeste, o Cavaleiro Solitário obviamente faria parte dos perdedores. Ele consegue ser muito engraçado, produzir um drama realmente forte e momentos de ação empolgantes. O problema é que, na unidade, a produção parece ter perdido a linha (o que realmente aconteceu), e um filme com uma história bem fechada no início perde-se ao colocar um segundo e um terceiro plot.

É uma pena: ao retratar a problemática dos nativos do Velho-Oeste e como a ganância os destruiu, O Cavaleiro Solitário realmente funcionou como um blockbuster que lamenta o que veio depois dali. O diretor, o fotógrafo, o músico, os atores, os designers conseguiram com louvor fazer um filme com algo a mais. A impressão que fica, porém, é que no final o estúdio não curtiu o lado triste e encheu o filme com mais duas tramas (afinal, a ideia era ter uma trilogia). O que antes parecia ter funcionado se transformou em uma explosão de cenas desnecessárias. E o que antes era genuinamente bom, genuinamente importante, se perde em um punhado de boas cenas jogadas em um limbo de roteiro.

  • Prós:plot central do filme, as atuações de Armie Harmer e Johnny Depp;
  • Contras: o exagero de personagens, histórias e cenas desnecessárias que lotam os dois últimos atos do filme.
  • Veredicto: O Cavaleiro Solitário começa excelente, progride com satisfação, mas termina como O Homem de Aço: naquela indigna tarefa de agradar um mercado que não o entende.

O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, 2013). Estados Unidos. Dirigido por Gore Verbinski; escrito por Ted Elliott, Justin Haythe, Terry Rossio; fotografado por Bojan Bazelli; editado por James Haygood, Craig Wood; trilha-sonora composta por Hans Zimmer; com Johnny Depp, Armie Hammer, Helena Bonham Carter, Tom Wilkinson, Barry Pepper, William Fichtner, Ruth Wilson, James Badge Dale.

 

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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