Era só questão de tempo para a Warner/DC planejar renovar seu Super-Homem nos cinemas. O sucesso da trilogia do Cavaleiro das Trevas é inegável, e uma abordagem semelhante — mais “realista” — era esperada, principalmente com a mão de Christopher Nolan na produção.

O resultado é bom, embora seja bem aquém da fama do herói. O Homem de Aço tem sim uma pegada mais intimista, mais pesada, mas foge e muito do realismo da trilogia do Batman. Os efeitos técnicos de Nolan dão lugar ao aparato digital que Zack Snyder domina bem em seus filmes. Snyder também evita a todo o momento ser ele mesmo (não há uma cena sequer em câmera lenta), e sua maior referência aqui é ninguém menos que Terrence Malick.

Essa escolha é justificável. Snyder a todo o momento traça paralelos entre o Super-Homem e Jesus Cristo. Ele é a esperança por um mundo melhor; ele tem 33 anos; ao voar, ele parece uma cruz. As pistas são inquestionáveis, e então fotografar grande parte do filme como um homem contemplando o mundo do qual ele não pertence é até filosófico, se tivesse uma linha central. Esse, particularmente, é o ponto que enfraquece o filme: falta uma cola no meio, que torne tudo uma coisa só. O Homem de Aço, como Batman Begins, é episódico: acontece isso, acontece aquilo, e depois mais aquilo. É um problema quando esses episódios começam a se sobrepôr e a deixar temas antes bem explorados pra trás.

Mas é inegável que O Homem de Aço é um bom começo: dá bases modernas para uma franquia do público de hoje, que quer mais violência que significados. Ele dá os dois, uma hora mais um ou mais outro. Mas eu tenho a esperança de que o segundo filme, que certamente virá em breve, resolva os problemas do primeiro — muito como O Cavaleiro das Trevas fez à trilogia do Homem-Morcego.

  • Prós: o novo Super-Homem é moderno, bem pensado e divertido;
  • Contras: como todo o filme de Nolan, existe uma capacidade injustificável de se explicar — aqui não funciona, já que Snyder quer algo mais contemplativo.
  • Veredicto: O Homem de Aço é bom — muito bom, pra dizer a verdade. Os erros dele são invariáveis nos roteiros de Nolan: falta algo no meio, que junte todos os episódios em um arco. O que sobra, um Snyder inspiradíssimo, efeitos muito bacanas e ótimos atores, dão o devido destaque.

O Homem de Aço (Man Of Steel, 2013). Estados Unidos. Dirigido por Zack Snyder; escrito por David S. Goyer, Christopher Nolan; fotografado por Amir Mokri; editado por David Brenner; trilha-sonora composta por Hans Zimmer; com Henry Cavill, Amy Adams, Diane Lane, Kevin Costner, Russell Crowe, Michael Shannon, Christopher Meloni, Laurence Fishburne, Ayelet Zurer, Antje Traue.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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