Drive é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. É, como A Rede Social, um exemplo da excelência do cinema contemporâneo. Um filme que, a todo o momento, rebusca o passado cinematográfico e consegue trazer frescor, classe e perfeição.

Um herói sem nome, uma mocinha, um vilão. Drive tem todos os elementos dos filmes de gênero puramente americanos. O faroeste, o de máfia, o de herói solitário. Mas está longe de ser o show de referências e de propriedades dos filmes de Quentin Tarantino. O diretor Nicolas Winding Refn sabe medir a dose muito bem para tornar todo o qualquer elemento de cena, composição de sequência, movimentação de câmera e aspecto de iluminação perfeitos à sua moda. Em determinados momentos de Drive, o cuidado estético e a perfeição ritmica da imagem me fizeram pensar que o filme era de David Fincher.

Mas Refn tem sua marca, e ela é forte em Drive. É um filme frio, distante. O herói de Ryan Gosling (um excelente ator no papel que define sua carreira) é daqueles que o cinema imortaliza por serem reflexos de seu próprio universo. E o universo que Refn cria, uma Los Angeles atemporal (por vezes o filme parece ser da década de 70 ou 80, por vezes ele é pós-iPhone), é impecável. Na verdade, tudo em Drive é perfeito. A história do herói, embora desenvolva-se em muito silêncio e em um ritmo que parece não ter vindo do cinema de ação (embora, se você reparar, o cinema de ação começou lento), é justamente aquela que parece faltar no cinema atual: uma história que reflete sim uma época, um ser humano, e sua própria natureza.

  • Prós: tudo. Drive é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos, um show de execução e de ritmo, uma amostra perfeita da qualidade do cinema contemporâneo e de sua força.
  • Contras: nenhum.
  • Veredicto: lento, silencioso e cheio de raiva (como seu protagonista), Drive é poderoso. Um show de cinema que se vê raramente, mas faz parte daquele grupo de filmes que restaura sua fé de que o cinema ainda é tão bom quanto já foi. No caso de Drive, há o risco de ser melhor.

Drive (2011). Alemanha, Estados Unidos. Dirigido por Nicolas Winding Refn; escrito por Hossein Amini; fotografado por Newton Thomas Sigel; editado por Matthew Newman; trilha-sonora composta por Cliff Martinez; com Ryan Gosling, Carey Mulligan.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

Se junte à conversa

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.