Ao lado de Os PássarosJanela Indiscreta é meu filme favorito de Alfred Hitchcock.

Por mais que eu ache Intriga InternacionalFestim Diabólico e, claro, Psicose filmes excelentes e irretocáveis, nenhum deles me parece ser tão completo, e tão vivo quanto essas duas obras do mestre do cinema.

Janela Indiscreta é uma obra prima de direção. Situado em sua maioria em um ambiente de aproximadamente 20m2, Hitchcock explora o espaço de maneira soberba, enquanto ainda brinca com o espectador (vira e mexe e James Stewart vem bater um papo conosco), cria o suspense com luzes e tiques, mexe em detalhes no meio da cena e, claro, conta uma história tão bem que é impossível desgrudar os olhos da tela um minuto sequer, mesmo aqui em que o falatório é constante (visto que Hitchcock tinha uma ideia muito clara de como usar diálogos).

Por “constante”, porém, não significa “excessivo”. O primeiro diálogo de Janela Indiscreta acontece em mais de cinco minutos do filme já ter iniciado. Hitchcock, antes, nos situa no espaço e nos coadjuvantes da enorme tela dentro da tela (afinal de contas, Stewart está em seu cinema particular ali). Estamos vendo um espelho: uma pessoa assistindo um suspense, desvendando as nuances do comportamento do personagem, os detalhes reveladores das situações… estamos vendo Hitchcock filmar a nós mesmos vendo seus filmes.

Assistir a nós mesmos na visão de um dos maiores mestres do cinema não poderia ser uma tarefa difícil. Janela Indiscreta respira harmonia cinematográfica a todo o instante, enquanto vemos a história progredir e o cinema de Hitchcock argumentar. Os diálogos, como sempre, nunca são gratuitos e os planos são sempre tão perfeitamente construídos e ousados que nos fazem rir pela esperteza do diretor. É um cuidado tão imenso pelos detalhes, um carinho tão grande pelo cinema, que sempre ao rever o filme me dá mais paixão pelo cinema. Esse que Hitchcock ajudou a criar.

  • Prós: absolutamente tudo. Hitchocock faz em Janela Indiscreta seu melhor filme, analisando o próprio espectador em um mistério dentro de um mistério. Grace Kelly sendo Grace Kelly; uma história bem contada e sem barriga; e planos simples e inteligentíssimos que só um verdadeiro mestre pode conceber.
  • Contras: nenhum.
  • Veredicto: Janela Indiscreta é uma carta de amor de Hitchcock para seus espectadores. É uma brincadeira, uma prova de adoração ao cinema, e um dos melhores filmes de um dos melhores diretores de toda a história do cinema. Não poderia ser menos que excepcional.

Janela Indiscreta (Rear Window, 1954). Estados Unidos. Dirigido por Alfred Hitchcock; escrito por Cornell Woolrich, John Michael Hayes; fotografado por Robert Burks; editado por George Tomasini; trilha-sonora composta por Franz Waxman; com James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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