Oskar, o garoto que protagoniza Tão Forte e Tão Perto, é sistemático. Depois do onze de setembro em que seu pai, junto a outras três mil pessoas, morre, ele se torna mais: além do balanço, ele começa a ter medo do transporte público, do elevador, das sirenes, das pessoas olhando para cima e, claro, de aviões.

Claro, Oskar representa uma grande parcela da população nova-iorquina que continua a tremer só de lembrar da tragédia das Torres Gêmeas. Nada mais inteligente, então, em transformá-lo em um pequeno aventureiro procurando sentido em sua dor.

Tão Longe e Tão Perto, então, é essa busca, transformada na procura de uma fechadura para a sua chave. O livro que o inspira, Extremamente alto e incrivelmente perto, é acompanhado de gráficos, ilustrações,  pop-ins e mapas que ilustram o raciocínio de Oskar na sua minuciosa jornada. Aqui, como não temos isso, somos saciados com close-ups extremos, linhas de raciocínio rápido e, claro, narração em off. A sacada é boa, o filme funciona bem, mas deixa de lado uma discussão interessante que o livro faz (um personagem lembra que os EUA despejaram bombas em uma cidade alemã, onde vinte e cinco mil pessoas morreram) em função a uma digestão mais fácil — parece que nenhum americano quer estabelecer essa relação ainda.

É nesses pontos, em que o livro enriquecia a história com discussões interessantes, que Tão Forte e Tão Perto sai perdendo. Ele se torna mais sentimentaloide e talvez até apelativo. Em contrapartida, a busca do filme é boa e as histórias tangentes dão uma amplitude maior — coisa que Eric Roth fez bem em Forrest Gump e muito bem em O Curioso Caso de Benjamin Button. Quando Sandra Bullock mostra a que veio, principalmente.

  • Prós: é bem atuado e a trama central, bem escrita. O filme também possui uma linda fotografia.
  • Contras: o filme perde em força ao tirar o diferencial do livro, que não o tornava apenas em uma busca e sim numa discussão. Assim, fica de apelo mais fácil, mas de menos impacto.
  • Veredicto: é um bom filme, e Sandra Bullock está bem como raramente dá pra ver ela fora de sua área de segurança. Ele é emocionante, mas as vezes tende a ser apelativo. Mas é sim um bom filme, e não a bomba que fizeram questão de pregar (mas vá ler o livro, por favor).

Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close, 2011). Estados Unidos. Dirigido por Stephen Daldry; escrito por Eric Roth, baseado no livro “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto”, de Jonathan Safran Foen; fotografado por Chris Menges; editado por Claire Simpson; trilha-sonora composta por Alexandre Desplat; com Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Viola Davis, Jeffrey Wright, Max von Sydow.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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