Eu não gosto de ficar falando das minhas interpretações sobre A Árvore da Vida porque sempre acho elas meio carentes de sentido. E também porque elas são tão pessoais que é meio invasivo falar.

Mas quando tu olha A Árvore da Vida tu só consegue enxergar Malick, de cabo a rabo. A infância perfeita dos garotos, a morte do irmão, a reclusão do adulto, as imagens do pai e da mãe. Eu nunca vi um diretor se entregar tanto num filme (não vamos entrar no mérito do Tarkovsky aqui, ok) — vemos o passado, o presente e a libertação do cara, que passou vinte anos recluso trabalhando na ideia do filme. A Árvore da Vida é uma imensa jornada pela existência e pela fé, seja você um temente a Deus ou não. O filme simplesmente consegue traçar o caminho que precisa pra te entender.

E ainda por cima é Malick fazendo isso. O cinema dele já é acima da média (todos os filmes são excelentes). Se Terra de Ninguém fica na tua cabeça por semanas e Além da Linha Vermelha não te deixa ver nenhum filme sobre a guerra durante muito tempo, imagine A Árvore da Vida. O filme é totalmente poético e caótico (como a natureza, veja só), traçando um paralelo desde a origem do Universo até o fim dos tempos, elevando a vida de uma família da década de 1950 ao nível do Cosmos, em que Jack (o filho mais velho) começa a ligar os pontos.

Malick usa as sombras do Platão, os dinossauros da pré-história, o afogamento do batismo… é tudo muito simbólico, mas ainda assim “inteligível”. É um cinema superior, que sabe o que fala e fala de um jeito próprio, que se livra de linearidade ou de simplicidade. Assistir ele na maior tela possível, com o melhor som possível, te leva para outro espaço, para outra realidade. É algo que poucos filmes fazem, que poucos ambicionam fazer.

É incrível. Não tem como não se emocionar com a linha de ideias de Malick. É tudo bem aberto, sem explicações nem respostas — mas há muitas perguntas, não se engane. Mas ver ali um ser humano encontrar um motivo pra acordar todos os dias é algo sublime. Algo que, sei lá, inspira. E o cinema de Malick é simplesmente isso: experimentar e inspirar.

A Árvore da Vida é inexplicável porque é pessoal. Eu não entendi do mesmo jeito que qualquer amigo meu. Mas isso não o tira beleza. É como ver o copo d’água meio vazio e meio cheio, mas aqui com um número gigante de interpretações. É um cinema único e poderoso, quase que colossal. Mas ainda assim é humano.

  • Prós: tudo. A Árvore da Vida é monumental. É um 2001, só que esse eu encontro significados e sentimentos. Ele nos coloca no Espaço e na Alma. É como assistir um Tarkovsky. Tem a Jessica Chestain, linda como nunca.
  • Contras: depois de tantas pessoas falando (mal) dele, tenho que esquecer tudo o que ouvi pra poder ver o filme de novo. É pra ser visto sem nenhuma influência externa.
  • Veredicto: lindo de ver e ouvir, A Árvore da Vida é uma experiência apoteótica. Ele exibe, com clareza e ambição, uma visão de mundo totalmente diferente e monumental. Eu senti o mundo de Malick, e porque ele é tão belo.

A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011). Estados Unidos. Escrito e dirigido por Terrence Malick; fotografado por Emmanuel Lubezki; editado por Hank Corwin, Jay Rabinowitz, Daniel Rezende, Billy Weber, Mark Yoshikawa; trilha-sonora original composta por Alexandre Desplat; com Brad Pitt, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Sean Penn, Fiona Shaw, Dalip Singh, Kari Matchett, Joanna Going, Laramie Eppler, Tye Sheridan, Irene Bedard.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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