O Profeta (Un Prophète, 2009)

O Profeta (Un Prophète, 2009)

Pra celebrar o primeiro resquício de inverno que eu senti hoje, fui rever O Profeta — o filme que, sempre que assisto, me dá um frio danado.

O Profeta é daqueles filmes realistas: filmado quase que totalmente com câmera de mão, filmando os personagens na altura dos ombros, dando a impressão de que somos cúmplices das ações do que vemos na tela. Nesse ponto, a escolha estética de Audiard não poderia ser mais acertada: para criar um novo épico do cinema do crime, hoje, é preciso nos igualar ao criminoso.

Então é assim que O Profeta se torna um dos meus filmes favoritos: ele se centra, a todo o momento, no protagonista e em sua jornada. O jovem Malik, que entrou na cadeia para passar seis longos anos, entra sabendo que “o plano é ficar mais esperto”. É na penitenciária francesa, porém, que o guri passa por uma transformação incrível, tão grandioso e tão imponente quanto o chefe da máfia, que o protege e o oprime.

Tudo em O Profeta é excelente. Sem exceções. Enquanto faz uma crítica ferrenha ao atual estado carcerário francês, ele também discute o Euro (o filme se passa exatamente na época da transição da moeda) e da “união dos povos” europeus. É, a todo o momento, um filme que manipula o espectador. Se no início ele implica na pergunta de “porque Malick está ali”, logo depois nos mostra que os motivos não são importantes. O que é realmente válido é o que vai acontecer. E nessa etapa, filmada minuciosamente pelo diretor de forma quase que doentia, não precisaremos de um profeta para saber o final.

  • Prós: a direção do francês Jacques Audiard, unicamente realista, é invejável. Ele humaniza todos os personagens, todas as histórias e todos os destinos: não há apoteoses em O Profeta, apenas a desgraça humana.
  • Contras: estão anunciando uma continuação. Não sei se isso é algo bom.
  • Veredicto: O Profeta é um filme frio (frio demais, dá pra sentir o frio só ao assistir), mas empolgante, envolvente e incrível. Ficar ao lado de Malick para assistir a sua tragetória é uma experiência magnífica que poucos podem presenciar, e menos ainda proporcionar.

O Profeta (Un Prophète, 2009). França, Bélgica, Itália. Dirigido por Jacques Audiard; escrito por Jacques Audiard, Thomas Bidegain, Abdel Raouf Dafri, Nicolas Peufaillit; fotografado por Stéphane Fontaine; editado por Juliette Welfling; trilha-sonora composta por Alexandre Desplat; com Tahar Rahim, Niels Arestrup, Adel Bencherif, Reda Kateb, Hichem Yacoubi.

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Autor: Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

3 comentários em “O Profeta (Un Prophète, 2009)”

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