Darren Aronofsky tem algo com a obsessão e, em Réquiem para um sonho, o primeiro filme que eu vi dele, torna o vício uma rotina obsessiva. Seja na heroína, seja no chocolate ou seja na televisão.

São esses três itens que tornam os personagens de Réquiem verdadeiros dinamites. Um primor de ritmo e de construção de tensão, esse filme de diretor jovem — mesmo com todos aqueles abusos de inventividade que são típicos dessa “idade” — consegue se provar uma realização formidável (principalmente se considerarmos que este é apenas o segundo filme de Aronofsky) por mostrar que o diretor não tem só pleno controle sobre o filme, mas também sobre o próprio espectador. Se pegar abraçando os ombros, ou com os olhos vidrados (assim como a personagem de Ellen Burstyn, em seu melhor papel desde O Exorcista) é algo normal.

Réquiem é um filme doentio e intrigante, que deixa cicatrizes no espectador e o leva para o outro lado da tela (e Aronofsky distorcendo a imagem vezes seguidas literalmente cria esse efeito). É um filme jovem, sim, mas que tem a força que muitos filmes “maduros” por aí não têm. Junte isso a uma trilha-sonora em eterno crescendo e uma fotografia muito bem construída, e você tem um pequeno cult instantâneo. Mas aqui com verdadeiros motivos para ser.

  • Prós: as atuações de todos, principalmente da incrível Ellen Burstyn; a fotografia e a edição, que trabalham tão bem juntas que é difícil de pesar em qual desses elementos se faz o impacto visual; a trilha-sonora fantástica de Clint Mansell, que se tornou quase que uma base para todas as trilhas-sonoras pós-2000.
  • Contras: é um filme bem jovem, depois que tu assiste O Lutador, o melhor filme de Aronofsky. Não é um problema, mas é a mesma sensação que eu tenho ao ver Clube da Luta e depois A Rede Social.
  • Veredicto: Réquiem para um sonho é uma prova definitiva para um diretor novato de que ele tem, sim, controle sobre tudo o que põe na tela, e de como seus espectadores irão reagir. É um filme pesado, tenso e incrivelmente bem construído. Uma verdadeira inspiração para qualquer filmmaker estreante.

Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000). Estados Unidos. Dirigido e escrito por Darren Aronofsky, baseado no livro de Hubert Shelby Jr.; fotografado por Matthew Libatique; editado por Jay Rabinowitz; trilha-sonora composta e conduzida por Clint Mansell; com Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly, Marlon Wayans, Christopher McDonald, Louise Lasser.

Publicado por Arthur

Eu faço sites e vejo filmes.

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